Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Os preços ao produtor nos Estados Unidos ficaram parados em julho, resultado que veio abaixo do esperado pelos analistas e reforça a expectativa de que o banco central americano (Fed) mantenha os juros sem alteração na reunião de setembro. Para você que administra um negócio no Brasil, esse tipo de sinal importa porque influencia o câmbio, o custo de crédito internacional e as decisões de investimento estrangeiro que afetam a economia brasileira como um todo.
O índice de preços ao produtor, conhecido como PPI, mede quanto as empresas americanas estão pagando por bens e serviços antes de esses custos chegarem ao consumidor final. Em julho, esse índice não teve variação, depois de um recuo de 0,1% em junho. O mercado esperava alta de 0,2%, então o resultado surpreendeu para baixo.
O que explica a estabilidade
A queda nos preços dos bens foi o principal fator que segurou o índice. Enquanto os custos de serviços subiram 0,2% no mês, os preços dos bens ao produtor caíram 0,7%, um contraste que mostra forças diferentes atuando na economia americana. Vale lembrar que a coleta de dados para esse indicador acontece majoritariamente no início do mês, então a alta nos preços do petróleo registrada no fim de julho ainda não aparece nesse número, podendo influenciar os próximos relatórios.
Olhando para os últimos 12 meses, a alta acumulada dos preços ao produtor foi de 4,7%, uma desaceleração em relação aos 5,5% registrados até junho. Essa tendência de queda na comparação anual é vista como um sinal positivo para quem espera que a inflação americana continue perdendo força.
Impacto nas decisões de juros
Esse dado não chega isolado. Ele se soma a uma perda inesperada de empregos nos Estados Unidos em julho e a indicadores mais moderados de inflação ao consumidor, formando um conjunto de sinais que o Fed vai considerar na próxima reunião de política monetária, marcada para os dias 15 e 16 de setembro. O Fed usa outro indicador, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), como referência oficial para sua meta de inflação de 2%, mas o PPI ajuda a antecipar tendências porque mede custos que, eventualmente, podem ser repassados ao consumidor.
Na reunião anterior, os juros americanos ficaram mantidos na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O conjunto de dados divulgado agora reforça os argumentos para que essa taxa permaneça estável em setembro, o que tende a trazer menos volatilidade para os mercados globais no curto prazo.
Por que isso interessa ao seu negócio
Se você importa insumos, negocia em dólar ou tem alguma exposição a variações cambiais, a trajetória dos juros americanos é um fator que merece atenção. Juros estáveis nos Estados Unidos tendem a reduzir sobressaltos no câmbio e podem manter o fluxo de capital estrangeiro mais previsível para o Brasil. Já uma eventual retomada da inflação americana, puxada por fatores como a alta do petróleo, pode mudar esse cenário nos próximos meses.
O recomendável é acompanhar os próximos indicadores econômicos americanos, especialmente porque o efeito da alta do petróleo no fim de julho ainda não apareceu nos números. Se sua empresa depende de importações, contratos em dólar ou linhas de crédito internacionais, vale conversar com seu contador ou consultor financeiro para avaliar se é hora de travar preços, revisar contratos ou ajustar o planejamento de caixa diante desse cenário externo.
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