Incentivo fiscal para contratar desempregados: entenda o projeto
15/10/2026 16:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Uma proposta em tramitação na Câmara dos Deputados pode abrir caminho para que empresas recebam benefícios fiscais ao contratar trabalhadores que estão fora do mercado formal há mais tempo. O projeto, que cria a Política Nacional de Estímulo à Geração de Emprego e Renda, já passou por uma etapa importante: foi aprovado pela Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara. Mas atenção: ainda não é lei, e por enquanto nenhuma empresa pode usar esse incentivo na prática.
A ideia nasceu de um projeto apresentado pelo deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), que originalmente previa benefícios fiscais mais amplos, para qualquer empresa que aumentasse seu quadro de funcionários. O relator, deputado Josenildo (PDT-AP), apresentou um substitutivo que muda o foco: em vez de premiar simplesmente o aumento de contratações, o incentivo passa a mirar especificamente quem contrata pessoas que estão há pelo menos 12 meses sem carteira assinada. Na prática, isso significa que o projeto busca incentivar a reinserção de quem está há mais tempo fora do emprego formal, e não apenas estimular qualquer nova vaga.
O que muda
Se a proposta virar lei, caberá ao governo federal decidir quais serão exatamente as isenções ou vantagens fiscais oferecidas, e como as empresas vão poder aproveitá-las. Essa regulamentação, segundo o texto, precisará sair em até 120 dias após a aprovação da lei. Ou seja: mesmo que o projeto avance rapidamente no Congresso, ainda vai existir um período de espera até que as regras práticas estejam definidas e o incentivo possa, de fato, ser usado pelas empresas.
Quem pode usar o incentivo e quem fica de fora
O texto também estabelece condições claras para evitar que o benefício seja usado de forma indevida. Para começar, a empresa precisará manter o trabalhador contratado por pelo menos 12 meses para ter direito ao incentivo e continuar recebendo-o. A lógica aqui é simples: o governo quer premiar quem realmente mantém o emprego, não apenas quem contrata e demite em seguida.
Quem pode acessar o incentivo
- Empresas que contratarem trabalhadores sem carteira assinada há 12 meses ou mais
- Empresas que mantiverem o empregado contratado por pelo menos 12 meses
Quem fica de fora
- Empresas que usarem a vaga para substituir alguém demitido sem justa causa nos 6 meses anteriores
- Empresas com dívidas com o governo federal ou a Previdência Social
- Contratações de sócios, administradores ou pessoas ligadas a eles
Além dessas regras, há situações em que o incentivo simplesmente não poderá ser concedido. Uma delas é a substituição de trabalhador: a empresa não poderá demitir um funcionário sem justa causa e, nos seis meses seguintes, contratar outra pessoa usando o benefício fiscal. Outra restrição vale para empresas que têm débitos com o governo federal ou com a Previdência Social, elas ficam automaticamente fora da possibilidade de usar o incentivo. Também não será permitido aproveitar o benefício para contratar pessoas com vínculo direto com os sócios ou administradores da empresa. Segundo o relator do projeto, essas condições foram pensadas para garantir segurança jurídica, responsabilidade fiscal e reduzir as chances de fraude no uso do incentivo.
Prazos e próximos passos
É importante deixar claro: a aprovação na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços é apenas uma das etapas do processo legislativo. O projeto segue em caráter conclusivo e ainda precisa ser analisado pelas comissões de Trabalho; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de poder ser considerado aprovado pela Câmara. Só depois de concluir toda essa tramitação no Congresso Nacional é que o texto pode se tornar lei. Até lá, nenhuma empresa tem respaldo legal para aplicar o incentivo com base apenas na decisão já tomada.
Para o seu negócio, o recado prático agora é: acompanhar. Caso a proposta avance e seja sancionada, o benefício fiscal pode se tornar uma ferramenta interessante para empresas que pretendem ampliar o quadro de funcionários priorizando quem está há mais tempo fora do mercado de trabalho formal. Mas as regras de uso dependerão da regulamentação que o governo federal ainda vai precisar elaborar, e isso só ocorre depois da aprovação da lei. Enquanto isso, vale manter a situação fiscal da empresa em dia, especialmente com o governo federal e a Previdência Social, já que débitos nessas áreas podem impedir o acesso ao incentivo caso ele seja aprovado.
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