Imigrante argentino transforma vinhedos em Mendoza em negócio de US$ 3 milhões
17/10/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Uma história que começou com uma despedida difícil em Cuba, nos anos 60, terminou se transformando em um negócio consolidado de vinhos na Argentina. Guillermo García Lamadrid deixou o país aos 11 anos, enviado pela mãe, Matilde Lamadrid, para os Estados Unidos durante a revolução de Fidel Castro. Décadas depois, já com uma trajetória sólida no setor de alimentos e distribuição internacional, ele decidiu homenagear a mãe criando a Lamadrid Estate Wines, vinícola em Mendoza que hoje fatura cerca de US$ 3 milhões por ano (R$ 15 milhões).
A trajetória empresarial de Lamadrid começou bem antes do vinho. Nos anos 80, ele já importava carne bovina e frutos do mar de Buenos Aires e Mar del Plata para Porto Rico. Foi esse contato de longa data com a Argentina, e o encantamento pelo país, que o levou, em 2004, a comprar seus primeiros vinhedos em Agrelo, uma das regiões vitivinícolas mais respeitadas do país. Três anos depois, em 2007, ele ampliou o investimento adquirindo uma vinícola em Las Compuertas, acompanhada de um casarão histórico de 1890 que precisou passar por um longo processo de restauração.
Como o negócio cresceu
Hoje, 22 anos depois daquela primeira compra, a empresa é dona de quatro vinhedos e 110 hectares, com produção anual de aproximadamente 650 mil quilos de uva. O modelo de negócio adotado, chamado de "single vineyard" e "estate", significa que toda a uva usada nos vinhos vem exclusivamente das propriedades da própria empresa, e todo o processo (do cultivo ao envelhecimento) acontece internamente, sem depender de terceiros. Essa integração permite mais controle sobre a qualidade final do produto, algo que Lamadrid trata como prioridade estratégica do negócio.
Para chegar a esse padrão, foram necessários investimentos pesados em infraestrutura: tela de proteção contra granizo em todos os vinhedos, represas de água, sistema de irrigação por gotejamento e até mapeamento por satélite dos terrenos para entender melhor cada parcela de plantio. É esse tipo de investimento de longo prazo que sustenta hoje uma operação com mais de 80 famílias empregadas nas áreas de produção, administração, vendas, logística e turismo.
Exportação como motor do faturamento
Das vendas totais da vinícola, 60% vêm de exportações para cerca de 20 países, enquanto os outros 40% ficam no mercado argentino. O principal destino externo são os Estados Unidos, que respondem por 40% das exportações, seguidos de perto por Canadá e Brasil. A empresa também vende para Porto Rico, Peru, Paraguai, Inglaterra, Suécia, Países Baixos e China, e está trabalhando para abrir ainda os mercados da Rússia e da Finlândia.
Além da venda direta de garrafas, a empresa apostou na diversificação de receita com o enoturismo. O restaurante Los Bocheros, instalado na propriedade, foi reconhecido pelo segundo ano consecutivo no Guia Michelin, e funciona como ponte entre a marca e o consumidor final, atraindo visitantes que depois se tornam clientes dos vinhos.
Lamadrid também destaca um aprendizado que trouxe do setor de alimentos para o vinho: a importância do contato direto com o cliente. Segundo ele, e-mails e mensagens de texto não substituem uma ligação ou uma visita pessoal, e é esse relacionamento próximo que ajuda a identificar desafios e oportunidades de crescimento no negócio.
Olhando para frente, o desafio da vinícola está ligado a uma mudança de comportamento do consumidor: mesmo com a queda global no consumo de bebidas alcoólicas, o vinho tem se tornado um produto associado a ocasiões especiais, não mais a um consumo cotidiano. Isso tem impulsionado a venda de rótulos de gama média-alta e alta, em detrimento das linhas de entrada. Para empresários de outros setores, a lição prática é clara: investir em qualidade consistente e em experiências de marca pode ser mais rentável do que competir apenas por volume.
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