Ibovespa cai na semana e dólar sobe: o que isso significa para sua empresa
18/09/2026 18:043 min de leituraAtualizado há 4 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O mercado financeiro brasileiro fechou a semana em clima de cautela. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, teve sua primeira queda semanal desde meados de agosto, recuando 1,06% no período. O dólar, por sua vez, subiu 0,39% na semana e fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,1451. Para você, empresário, esse movimento importa porque reflete diretamente o nível de confiança dos investidores na economia brasileira, algo que influencia crédito, juros e o custo de produtos importados.
O que está por trás da queda
Segundo analistas ouvidos na reportagem original, o principal motivo da instabilidade é a proximidade das eleições presidenciais de outubro. Uma nova pesquisa Datafolha mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado é praticamente igual ao da semana anterior e configura empate técnico, dentro da margem de erro. Esse cenário apertado deixa os investidores inseguros sobre qual será a política econômica do próximo governo, especialmente na área fiscal, o que os torna mais cautelosos ao investir no país.
Some-se a isso o anúncio do reajuste do Bolsa Família, que gerou dúvidas sobre como o governo pretende financiar os gastos públicos e se vai manter o compromisso com as contas em dia. Quando o mercado enxerga risco fiscal maior, os investidores exigem um "prêmio" mais alto para aplicar dinheiro no Brasil, o que tende a encarecer o crédito e pressionar o câmbio.
No cenário internacional, o aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos também pesou contra as ações brasileiras, já que juros mais atrativos nos Estados Unidos tendem a atrair capital que estava aplicado em países emergentes como o Brasil. Além disso, dados da B3 mostraram saída líquida de investidores estrangeiros das ações brasileiras, reduzindo o saldo positivo acumulado em setembro.
Quem sente esse efeito no dia a dia
Empresas que importam insumos ou equipamentos sentem o efeito direto de um dólar mais caro, já que isso encarece a compra em moeda estrangeira. Já negócios ligados a exportação podem se beneficiar, pois recebem mais reais por cada dólar vendido. Setores como mineração e siderurgia tiveram um dia de perdas significativas, com destaque para uma queda de 6,4% nas ações da CSN, enquanto o setor bancário teve resultado misto: alguns bancos caíram, como o Santander, e outros subiram, como o Banco do Brasil. O setor imobiliário, por outro lado, teve um dia de recuperação, com alta expressiva nas ações da Cyrela.
Vale destacar também que o Banco Central atuou no mercado para dar mais estabilidade ao dólar, vendendo US$ 1 bilhão em um leilão específico para garantir liquidez, já que o país tem registrado saída de dólares antes das eleições. Segundo dados do próprio BC, mais de US$ 5,9 bilhões já deixaram o Brasil somente nos primeiros dias de setembro, a maior parte por meio de operações financeiras e remessas de lucro.
Como se preparar
Se a sua empresa depende de câmbio, seja para importar, exportar ou pagar dívidas em dólar, este é um momento de ficar atento às oscilações e, se possível, buscar orientação sobre proteção cambial (hedge) junto ao seu banco ou consultor financeiro. Se você depende de crédito, vale monitorar como a instabilidade política pode influenciar as taxas de juros nos próximos meses, já que o mercado tende a exigir taxas maiores em cenários de incerteza fiscal e eleitoral.
De forma geral, o recado é: a proximidade das eleições deve manter a volatilidade elevada no mercado nas próximas semanas. Não é hora de tomar decisões financeiras precipitadas, mas sim de acompanhar de perto os indicadores, revisar contratos que envolvam câmbio e conversar com seu contador ou consultor sobre o melhor momento para movimentações financeiras importantes no seu negócio.
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