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IA: quem lucra com os trilhões investidos por gigantes de tecnologia

17/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 56 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Quatro das maiores empresas de tecnologia do mundo, Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta, planejam destinar juntas entre US$ 700 bilhões e US$ 725 bilhões a investimentos em 2026, um salto de cerca de 75% em relação ao recorde do ano passado. O motivo é a corrida para construir a infraestrutura que sustenta o crescimento da inteligência artificial. Para você que é empresário ou gestor, entender para onde vai esse dinheiro ajuda a enxergar oportunidades de negócio e também riscos, seja como fornecedor de alguma dessas cadeias, seja como investidor.

Para onde vai o dinheiro

A Amazon projeta investir cerca de US$ 200 bilhões, a Microsoft cerca de US$ 190 bilhões, a Alphabet entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões, e a Meta entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões. Analistas de Wall Street já estimam que o total conjunto pode passar de US$ 1 trilhão em 2027. Esse volume de recursos já influencia diretamente os resultados de fabricantes de semicondutores, altera projeções de consumo de energia elétrica e até pressiona os rendimentos de títulos públicos nos Estados Unidos, segundo o presidente do banco central americano.

Cerca de três quartos desses investimentos em nuvem são direcionados à infraestrutura de IA: chips gráficos, chips personalizados, servidores, equipamentos de rede e data centers. O restante vai para terrenos, prédios, sistemas de refrigeração e energia. Na prática, isso significa que empresas que fabricam chips, produzem memória ou fornecem equipamentos de rede estão entre as mais beneficiadas. A Microsoft, por exemplo, atribui cerca de US$ 25 bilhões do seu orçamento de 2026 apenas à alta de preços de componentes.

Investimentos previstos para 2026
US$ 725 bitotal das quatro empresasalta de cerca de 75% sobre o recorde do ano anterior.
US$ 200 biprojeção da Amazona maior entre as quatro empresas.
US$ 1 triprevisão para 2027estimativa de analistas de Wall Street.

A energia virou um gargalo importante nesse cenário. Com a expansão acelerada dos data centers, empresas de energia elétrica e fabricantes de equipamentos para redes de energia passaram a ter perspectivas de crescimento melhores. Fornecedores de transformadores, sistemas de distribuição de energia e equipamentos de refrigeração já acumulam pedidos com prazos de entrega que chegam a durar anos. Se o seu negócio atua nessas cadeias, de alguma forma, ou presta serviços a quem atua, vale mapear essa demanda como oportunidade.

Os investimentos já estão dando retorno?

Essa é a pergunta que mais preocupa o mercado neste momento. Os sinais ainda são mistos, mas há indícios de melhora. A Microsoft informou que seu negócio de IA já superou US$ 37 bilhões em receita anual, mais que o dobro do registrado um ano antes. O Google Cloud, por sua vez, acumula contratos pendentes acima de US$ 460 bilhões, o que mostra demanda real por trás dos investimentos. Já a Meta enfrenta um desafio diferente: como não vende capacidade de computação em nuvem, ela precisa provar que a IA melhora seus outros negócios, principalmente publicidade e engajamento de usuários. A incerteza sobre o retorno desses investimentos já causou forte volatilidade nas ações: Mark Zuckerberg, fundador da Meta, chegou a perder quase US$ 20 bilhões em apenas dois dias.

Outro ponto que merece atenção é o fluxo de caixa dessas empresas. A expectativa é que os investimentos consumam quase todo o dinheiro gerado pelas operações neste ano. Isso muda a lógica de avaliação dessas companhias, que por muito tempo foram valorizadas justamente por gerar muito caixa com pouca necessidade de investimento. Agora, uma parte crescente do capital vai para construir e operar infraestrutura, e parte disso é financiada com dívida, o que custa mais caro em um cenário de juros elevados.

O que isso significa para quem investe ou fornece para essa cadeia

Se você tem investimentos financeiros, vale avaliar quanto da sua carteira já está exposta à inteligência artificial, mesmo sem perceber. Fundos que seguem o índice S&P 500, por exemplo, já têm participação relevante das grandes empresas de tecnologia e fabricantes de chips ligados a esse boom. Se a carteira também inclui fundos de tecnologia ou ações individuais do setor, o risco pode estar mais concentrado do que parece, ainda que os investimentos pareçam diversificados.

Uma alternativa é distribuir a exposição ao longo de toda a cadeia, incluindo fornecedores de infraestrutura, energia e equipamentos, que se beneficiam do crescimento do setor independentemente de qual empresa de tecnologia acabe liderando o mercado. Vale lembrar que grandes ciclos de investimento em infraestrutura, ao longo da história, costumam combinar crescimento de longo prazo com períodos de excesso e perdas relevantes. Um trimestre com resultados abaixo do esperado, ou um corte nos planos de investimento de uma dessas gigantes, pode provocar quedas bruscas, especialmente em ações negociadas a preços já elevados.

Para o seu negócio, o recado prático é duplo: de um lado, há oportunidade real para empresas que fornecem energia, equipamentos, componentes ou serviços ligados a essa infraestrutura. De outro, quem tem recursos aplicados em fundos ou ações ligados à tecnologia deve entender melhor sua real exposição a esse movimento antes de assumir mais riscos do que pretende.

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