IA pode ampliar desigualdade entre empresas e países, alertam FMI e OCDE
22/10/2026 11:264 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A inteligência artificial promete turbinar o crescimento econômico mundial, mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) deixaram um alerta importante: nem todo mundo vai embarcar nessa onda da mesma forma. Segundo as duas instituições, países mais pobres, empresas menores e trabalhadores no início de carreira correm risco real de ficar para trás, caso não haja avanços em energia, infraestrutura digital e capacitação. Para você, empresário ou gestor, esse alerta é um sinal claro: adotar IA não é só uma questão de vontade, depende de condições estruturais que nem toda empresa ou região tem à disposição.
O que muda
O discurso otimista sobre a IA como motor de crescimento continua forte, mas agora vem acompanhado de ressalvas. Segundo Era Dabla-Norris, diretora adjunta do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, o uso eficaz da inteligência artificial poderia adicionar até 0,5% ao crescimento global anual no médio prazo. O problema é que os ganhos reais de produtividade medidos até agora são muito menores do que esse potencial, o que mostra uma distância grande entre o discurso e a prática.
A OCDE segue na mesma linha: estima que a IA pode elevar a produtividade anual em seus países-membros entre 0,4% e 1,2%. Mas o economista-chefe da organização, Stefano Scarpetta, chamou atenção para um detalhe que interessa diretamente a quem gerencia um negócio: o uso da IA no ambiente de trabalho ainda está muito atrás do uso que o consumidor comum já faz no dia a dia. Nas empresas, a adoção segue limitada a funções essenciais, sem se espalhar de forma ampla pelos processos internos.
Quem é afetado
O recorte mais sensível do alerta envolve justamente quem tem menos estrutura para investir em tecnologia. Para economias em desenvolvimento, a pergunta não é apenas "vamos usar IA?", mas sim se existe capacidade real de adotar e difundir essa tecnologia internamente. Isso depende de fatores como acesso confiável à energia, infraestrutura digital adequada e mão de obra qualificada, elementos que muitas regiões e muitas empresas de menor porte ainda não possuem de forma consistente.
Do lado do mercado de trabalho, o FMI estima que cerca de 40% dos empregos no mundo podem ser impactados pela IA. Isso já está se refletindo em decisões concretas de grandes empresas: o Barclays anunciou corte de cerca de 5.000 postos de trabalho neste ano, associando a decisão ao uso de tecnologias como a IA para reduzir custos. O eBay estaria cortando 9% da força de trabalho, e a Qualcomm sinalizou demissões globais classificadas como ajuste de desempenho. São exemplos que mostram como o impacto da IA no emprego já deixou de ser teoria.
Um grupo específico preocupa as autoridades: os trabalhadores mais jovens e em início de carreira. Segundo Dabla-Norris, esses profissionais podem ser especialmente vulneráveis porque a IA está assumindo justamente tarefas simples e repetitivas, que tradicionalmente serviam para o funcionário ganhar experiência prática e evoluir dentro da empresa. Se essa porta de entrada diminui, o processo natural de formação de novos talentos dentro das organizações também fica comprometido.
Como se preparar
Diante desse cenário, o recado prático para o seu negócio é não tratar a IA como modismo nem como ameaça distante. As demissões já anunciadas por grandes empresas mostram que o uso da tecnologia para corte de custos é uma realidade presente, e não uma possibilidade futura. Ao mesmo tempo, o alerta da OCDE sobre a lacuna entre exposição e uso efetivo serve de lição: ter acesso à IA não significa automaticamente saber aproveitá-la nos processos internos da empresa.
Se você lidera um negócio de pequeno ou médio porte, vale avaliar com cuidado sua real capacidade de adotar essas ferramentas, considerando infraestrutura tecnológica disponível e qualificação da equipe. E se sua empresa emprega profissionais em início de carreira, repensar como eles ganham experiência prática dentro da organização pode se tornar necessário, já que tarefas que antes serviam de treinamento estão sendo cada vez mais automatizadas.
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