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IA no trabalho: o que empresários precisam entender sobre riscos e vieses

19/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 59 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você usa ou pretende usar inteligência artificial em processos de recrutamento, seleção ou gestão de pessoas na sua empresa, vale prestar atenção ao alerta de Chris Hyams, que por seis anos comandou o Indeed, uma das maiores plataformas de emprego do mundo. Depois de 15 anos na empresa, ele deixou o cargo de CEO em junho de 2025 para se dedicar a um tema que considera urgente: o uso responsável da IA no mundo do trabalho.

Hyams não é um crítico da tecnologia em si. Ele ajudou a desenvolver ferramentas de IA no próprio Indeed, como um recurso que orienta trabalhadores sobre possíveis caminhos de carreira a partir das habilidades que já possuem. O que o preocupa é a forma como a IA vem sendo usada: segundo ele, há uma pressão crescente de conselhos de administração e investidores para que as empresas aumentem a eficiência substituindo pessoas por tecnologia, em vez de usar a IA como apoio ao trabalho humano.

Por que isso importa para o seu negócio

Para empresários e gestores, o ponto central do alerta de Hyams é prático: sistemas de IA aprendem a partir de dados históricos, e esses dados carregam desigualdades que já existiam na sociedade antes mesmo da tecnologia. Isso significa que ferramentas de IA usadas em contratação, avaliação de desempenho ou outras decisões sobre pessoas podem reproduzir e até ampliar preconceitos existentes, como discriminação contra mulheres, pessoas negras ou pessoas com deficiência.

O problema, segundo ele, é que a responsabilização por esses resultados é mais difícil quando a decisão vem de um sistema automatizado. Em contratações feitas diretamente por pessoas, existem leis que permitem responsabilizar empresas por práticas discriminatórias, dependendo do porte do negócio. Quando a decisão passa por um algoritmo, fica mais difícil identificar e corrigir esse tipo de viés, especialmente sem fiscalização efetiva por parte de órgãos reguladores.

O que fazer antes de adotar IA em decisões sobre pessoas
01
Entenda os dados usados

Verifique com o fornecedor da ferramenta de IA quais dados alimentam o sistema e se há histórico de testes contra vieses discriminatórios.

02
Mantenha supervisão humana

Use a IA como apoio à decisão, não como decisora final em processos de contratação, demissão ou avaliação de desempenho.

03
Teste o sistema periodicamente

Avalie se a ferramenta gera resultados desiguais entre grupos diferentes de candidatos ou colaboradores.

04
Documente critérios

Registre como e por que a IA chegou a determinada recomendação, para poder explicar e corrigir decisões se necessário.

O que muda na forma de pensar sobre eficiência

Outro ponto levantado por Hyams é um questionamento direto ao discurso de que a IA deve substituir trabalhadores para ganhar eficiência. Para ele, essa lógica inverte o propósito que deveria guiar o uso da tecnologia: em vez de perguntar como demitir mais pessoas e substituí-las por IA, as empresas deveriam buscar formas de usar a tecnologia em conjunto com as pessoas, ampliando capacidades em vez de eliminar postos de trabalho.

Essa visão tem implicações diretas para quem gere equipes e toma decisões sobre investimento em automação. Antes de adotar IA com o objetivo único de reduzir quadro de pessoal, vale considerar se a ferramenta realmente substitui com segurança o julgamento humano ou se está apenas transferindo riscos, como vieses e falta de responsabilização, para dentro da operação.

Hyams também destaca que a IA não é o problema em si, mas sim a forma como está sendo desenvolvida e aplicada, muitas vezes sem os cuidados necessários. Segundo ele, uma tecnologia tão poderosa deveria receber mais cuidado e cautela do que qualquer outra ferramenta já criada, e não menos, como ele observa estar acontecendo tanto em empresas de tecnologia quanto em instâncias regulatórias.

Como se preparar

Para o gestor brasileiro que avalia incorporar IA em áreas sensíveis do negócio, como recrutamento, concessão de crédito ou atendimento ao cliente, a recomendação prática que emerge da experiência de Hyams é simples: trate a tecnologia como uma ferramenta de apoio, não como substituta de decisões que afetam diretamente a vida das pessoas. Avalie fornecedores que demonstrem preocupação com vieses, mantenha processos de revisão humana e esteja atento a sinais de que o sistema está tratando grupos de forma desigual.

No fim das contas, o alerta de quem ajudou a construir uma das maiores plataformas de emprego do mundo serve como lembrete para qualquer empresa: eficiência não pode vir à custa de responsabilidade. Usar IA de forma consciente, com supervisão e critérios claros, protege não só os trabalhadores, mas também o próprio negócio de riscos reputacionais e legais no futuro.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.