Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acha que adotar inteligência artificial na sua empresa é só uma questão de comprar ferramentas e treinar a equipe para usá-las, vale repensar essa estratégia. Segundo Mariana Dias, fundadora e CEO da Gupy, empresa de tecnologia para recursos humanos, a IA está exigindo uma mudança muito mais profunda: a forma como o trabalho é organizado dentro das companhias.
Com mais de 15 anos de experiência no setor, Mariana afirma que o RH deixou de ser uma área burocrática e passou a ocupar um lugar estratégico nas empresas, justamente por estar no centro dessa transformação. Para ela, o grande desafio atual não é apenas ensinar as pessoas a usar novas ferramentas, mas repensar como o trabalho é feito, saindo de um modelo baseado na produtividade individual para um modelo de escala coletiva.
O que muda na prática
Na visão da executiva, muitas lideranças estão focadas apenas em capacitar os times para operar ferramentas de IA, mas esquecem de um ponto essencial: dar segurança para que as pessoas se sintam confiantes nesse novo ambiente de trabalho. Isso significa que, além de investir em tecnologia, o gestor precisa cuidar da confiança da equipe e do senso de propósito dentro da empresa.
Outro ponto de atenção é o papel do próprio líder nesse processo. Para Mariana, não é possível orientar uma equipe sobre os limites e possibilidades da IA sem antes ter testado a tecnologia na prática. Ou seja, cabe ao gestor experimentar essas ferramentas antes de cobrar isso do time.
Quem é afetado
Essa mudança não fica restrita à área de recursos humanos. Segundo Mariana, muitas empresas já estão trazendo parte da equipe de tecnologia para dentro da área de pessoas, justamente para acelerar essa transformação de forma integrada. Ou seja, se você é gestor de uma pequena ou média empresa, é importante entender que essa reorganização do trabalho não pode ficar isolada em um único setor.
A executiva também chama atenção para um novo tipo de profissional que vem ganhando espaço: o que ela chama de "colaborador de alto impacto individual", capaz de tocar projetos inteiros sozinho, com apoio de ferramentas de IA. Isso traz um risco importante para o negócio: se esse profissional usa um conjunto próprio de agentes de IA para executar seu trabalho, o conhecimento gerado pode ir embora junto com ele, caso a empresa não tenha processos para reter esse aprendizado.
A forma de contratar pessoas também está mudando. Mariana cita que processos seletivos mais longos, cheios de testes e formulários, têm perdido espaço para formatos mais ágeis, como conversas conduzidas por agentes de IA diretamente pelo WhatsApp. Para empresas que buscam contratar com mais rapidez, essa é uma tendência que vale acompanhar.
Como se preparar
O recado principal de Mariana para empresários e gestores é que o ganho real com a IA não vem de quem automatiza mais processos, mas de quem consegue redesenhar a forma como as pessoas trabalham dentro do negócio. Isso exige uma combinação de tecnologia, liderança presente e cuidado com o bem-estar da equipe.
Na prática, isso significa que investir em ferramentas de IA sem repensar processos internos, papéis das equipes e forma de liderança tende a gerar resultados limitados. Empresas de todos os portes podem se beneficiar ao tratar essa transformação como uma mudança estrutural, e não apenas como a adoção de mais uma ferramenta de trabalho.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
