IA nas empresas: por que só 7% usam no centro do negócio
16/10/2026 05:033 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Se você sente que sua empresa ainda não sabe bem o que fazer com a inteligência artificial, não está sozinho. Um estudo da MIT Sloan Management Review Brasil, encomendado pela TOTVS, mostra que a tecnologia já está presente em 80% das empresas no país, mas apenas 7% delas a colocam de fato no centro das decisões do negócio. O dado ajuda a explicar por que tantos gestores ainda tratam a IA como uma novidade distante, mesmo usando ferramentas digitais todos os dias.
Para quem está no comando, o primeiro obstáculo não é técnico, é comportamental. Segundo Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, muitos líderes gastam mais energia justificando por que não devem mudar do que avaliando os motivos para avançar. Depois de anos construindo experiência e autoridade, admitir que é preciso aprender algo novo do zero é desconfortável, mas se tornou necessário.
Quem é afetado
A resistência não é exclusividade de quem está no topo. Cristiano Nobrega, diretor executivo de Dados e IA da TOTVS, reforça que o fator decisivo é a abertura para aprender, independentemente do cargo. Isso vale tanto para o especialista técnico quanto para o funcionário que está começando agora, e tanto para quem lidera equipes quanto para quem ainda não lidera ninguém.
Na prática, isso significa que a mudança não pode ficar restrita a um departamento de tecnologia ou a um grupo pequeno de entusiastas. Se a empresa que fornece, compra ou se relaciona com o seu negócio está sendo impactada pela IA, essa onda também vai chegar até você, cedo ou tarde. A diferença está em decidir se o impacto será administrado com preparo ou enfrentado de forma reativa.
Esses números revelam um ponto importante para quem gerencia um negócio: o medo de errar e a insegurança técnica não são exceção, são a regra entre os funcionários. Quase quatro em cada dez colaboradores dizem não saber usar corretamente as ferramentas de IA disponíveis. Ainda assim, a grande maioria das empresas não oferece nenhum tipo de treinamento estruturado para toda a equipe. Esse descompasso entre adoção e capacitação é, provavelmente, o maior risco silencioso da transformação digital nas empresas brasileiras hoje.
Como se preparar
Bastos cita um exemplo prático de como a IA pode liberar tempo da liderança para o que realmente importa: em vez de o executivo passar horas analisando planilhas antes de uma reunião de conselho, um agente de IA homologado, usado em ambiente protegido, pode preparar o resumo dos dados financeiros. O tempo que seria gasto nessa etapa passa a ser usado para discutir consequências e decisões, que é onde a experiência humana realmente faz diferença.
Mas isso não acontece sem organização interna. Entre as recomendações está a criação de uma política de governança clara, definindo o que pode e o que não pode ser feito com a tecnologia dentro da empresa, com as equipes cientes dessas regras desde o início. Sem esse cuidado, o risco de uso inadequado ou de exposição de dados sensíveis aumenta.
Por fim, vale lembrar que adotar IA não deve ser uma decisão tomada apenas para parecer moderno. Segundo Bastos, é preciso pragmatismo: existe um problema concreto que a tecnologia pode resolver na sua empresa? Existe um ganho real a ser alcançado? Antes de investir tempo e recursos, a pergunta que você deveria fazer é simples: qual é o objetivo por trás dessa decisão? Se a resposta for clara, o caminho para usar a IA de forma estratégica fica muito mais fácil de traçar.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
