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IA nas empresas brasileiras: por que 93% ainda não aproveitam de verdade

15/10/2026 05:053 min de leituraAtualizado há 7 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você já testou alguma ferramenta de inteligência artificial na sua empresa, não está sozinho: um levantamento recente mostra que 80% das organizações brasileiras já usam ou experimentam IA de alguma forma. O problema é que, para a grande maioria, isso para por aí. Apenas 7% conseguiram levar essa tecnologia para o centro das decisões e dos processos que realmente movem o negócio. Na prática, isso significa que a IA ainda é, para quase todo mundo, um experimento isolado, não uma ferramenta de gestão.

A pesquisa, encomendada pela TOTVS e conduzida pela MIT Sloan Management Review Brasil em parceria com a CNEX, ouviu 583 profissionais de empresas de diferentes portes, setores e regiões do país. O diagnóstico é claro: a IA entrou pela porta da frente de muitas empresas, mas ficou na recepção. Em 40% das companhias, as iniciativas de IA acontecem sem nenhuma coordenação entre os departamentos, cada área testando por conta própria, sem conexão com a estratégia geral.

O que muda na forma de usar IA

O estudo criou um índice de maturidade em IA, numa escala de 0 a 10, e o resultado médio das empresas brasileiras foi 6,69. O ponto mais fraco está na integração tecnológica: mesmo com 68% das empresas já tratando a migração para a nuvem como algo consolidado, só 46% afirmam que suas ferramentas de IA conseguem acessar os dados da empresa automaticamente. Mais grave ainda: apenas 8% integram a IA de forma ampla aos sistemas de gestão (ERP), que é justamente o fator apontado como mais decisivo para o sucesso da tecnologia dentro de uma operação.

Isso ajuda a explicar por que tantas empresas não sabem medir o retorno do que investem. Segundo o levantamento, 86% não controlam quanto gastam com IA e 88% não sabem dizer qual é o retorno financeiro obtido com essa tecnologia. Ou seja: a empresa pode estar usando IA todos os dias sem ter ideia se isso está trazendo resultado ou só custo.

Maturidade em IA nas empresas brasileiras
80%já usam ou testam IAmas apenas 7% levam a tecnologia ao centro da estratégia.
86%não medem gastos com IAe 88% não sabem qual retorno financeiro obtêm.
8%integram IA ao ERPfator apontado como mais decisivo para o sucesso da tecnologia.

Quem é afetado e por quê isso importa

O impacto não é só tecnológico, é humano. Entre os profissionais entrevistados, 43% têm medo de errar por confiar demais na IA e 37% admitem não saber usar as ferramentas corretamente. Apesar disso, só 7% das empresas oferecem treinamento estruturado sobre o tema para todos os funcionários. Para qualquer gestor, esse é um ponto de atenção direto: investir em ferramenta sem capacitar a equipe tende a gerar insegurança, erros e desperdício de recursos.

A questão da governança também preocupa. As decisões sobre IA já chegam à diretoria em 43% das empresas, mas apenas 14% têm uma política formal que organize o uso da tecnologia em toda a organização. Sem regras claras, cresce o risco: para 46% das empresas, o vazamento ou uso indevido de dados é hoje a principal ameaça ligada à IA. Um dado que chama atenção é que empresas que buscam parcerias externas para inovar têm maturidade 41% superior às que tentam avançar sozinhas, um indicativo de que não é preciso resolver tudo internamente.

Como se preparar

Para o seu negócio, o recado prático é simples: ter uma ferramenta de IA rodando em algum setor não significa estar usando a tecnologia de forma estratégica. O caminho passa por integrar a IA aos sistemas de gestão que já sustentam a operação, medir custos e resultados com clareza, criar regras de uso e investir em treinamento da equipe. Empresas que tratam a IA como parte dos processos críticos, e não como experimento pontual, tendem a sair na frente justamente porque conseguem transformar tecnologia em resultado mensurável, e não apenas em mais uma ferramenta subutilizada.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.