IA já influencia escolha de banco: o que empresários precisam saber
23/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Se você tem uma empresa que depende de banco, seja para crédito, conta corrente ou investimentos, vale prestar atenção em uma mudança silenciosa que já está em curso: cada vez mais pessoas estão usando ferramentas de inteligência artificial para pesquisar e comparar produtos financeiros antes mesmo de falar com uma instituição. Um estudo da Bain & Company mostra que as consultas sobre serviços bancários feitas em ferramentas de IA cresceram 1.200% entre julho de 2024 e fevereiro de 2025. Isso significa que o primeiro contato do cliente com o banco pode não ser mais o banco em si, mas um assistente de IA que recomenda opções.
O que muda na prática
Segundo o levantamento, cerca de 40% dos clientes pesquisados já usaram ou usariam ferramentas de IA para tratar de assuntos financeiros. Isso não quer dizer que essas pessoas já deleguem decisões a robôs, mas mostra que a pesquisa e a comparação de produtos estão migrando para essas plataformas. Entre os usos mais citados estão a busca por recomendações de conta corrente e poupança, explicações sobre investimentos, montagem de orçamento pessoal e dúvidas sobre impostos relacionados a decisões financeiras.
Para quem administra um negócio, o ponto de atenção é simples: se o cliente passa a pedir para uma IA comparar contas, taxas ou linhas de crédito, a instituição financeira corre o risco de deixar de ser a primeira escolha e virar apenas uma entre várias opções sugeridas pela plataforma. A sócia da Bain, Luiza Cerri, chama isso de risco de desintermediação, ou seja, a possibilidade de o banco perder espaço no relacionamento direto com o cliente.
Vale entender também a diferença entre os tipos de ferramenta que estão disponíveis hoje. Um chatbot simples apenas responde dúvidas pontuais. Um assistente digital já ajuda a executar tarefas específicas, como simular um empréstimo. Já um agente de IA, o nível mais avançado, consegue entender um objetivo maior, organizar as etapas necessárias e interagir com diferentes sistemas para concluir uma operação de ponta a ponta, desde que o cliente autorize isso. É essa capacidade de execução que preocupa e, ao mesmo tempo, interessa aos bancos.
Impacto para quem contrata serviços financeiros
Do lado das instituições, a chegada dos agentes de IA pode trazer ganhos reais: atendimento mais rápido, processos automatizados, mais produtividade e melhor conversão de vendas. Mas há um efeito colateral importante para o seu bolso como cliente ou empresário: se ficar mais fácil comparar produtos financeiros por meio de uma plataforma de IA, os serviços bancários tendem a ficar mais parecidos entre si, e a disputa por preço deve se intensificar. O estudo da Bain chama atenção para o risco de "comoditização", quando produtos diferentes passam a ser vistos como praticamente iguais, e para a possibilidade de empresas de tecnologia ampliarem sua atuação direta no mercado financeiro.
Segundo Cerri, ainda não é possível garantir que os ganhos de eficiência vão compensar totalmente esse efeito sobre as margens dos bancos. Tudo vai depender da capacidade de cada instituição de aproveitar a tecnologia sem perder competitividade na relação com o cliente.
Controle, autorização e responsabilidade
Um ponto que merece atenção especial de quem usa esses serviços é o controle sobre as próprias informações. De acordo com o estudo, o cliente precisa continuar decidindo quais dados compartilha, quais operações autoriza e por quanto tempo essa autorização vale, podendo revisar ou cancelar o acesso quando quiser. Isso é especialmente relevante para empresários que lidam com informações financeiras sensíveis do negócio.
Outro aspecto importante é que dar mais autonomia ao cliente não significa transferir a ele toda a responsabilidade caso a tecnologia falhe. Segundo Cerri, essa divisão de responsabilidade entre banco, cliente e empresa de tecnologia ainda precisa ser avaliada caso a caso, de acordo com as regras aplicáveis a cada situação.
No curto prazo, a expectativa é que os efeitos mais visíveis para quem usa serviços bancários apareçam no atendimento e na forma de pesquisar e comparar produtos. Tarefas mais complexas, como planejamento financeiro completo ou execução automática de transações, ainda dependem de avanços tecnológicos e de mais segurança. Para o seu negócio, o recado prático é ficar atento à forma como a instituição financeira que você usa está se adaptando a esse novo cenário, e também considerar como ferramentas de IA podem ajudar na própria gestão financeira da empresa, sempre com cautela sobre o que é delegado e o que continua exigindo decisão humana.
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