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22/07/2026 05:00· 4 min de leitura· Tecnologia
Atualizado há 2 horas

IA e Juros Empatam Como Maior Risco para Gestoras Globais, com US$ 5,5 Tri sob Gestão

IA e Juros Empatam Como Maior Risco para Gestoras Globais, com US$ 5,5 Tri sob Gestão
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um levantamento da XP ouviu 37 gestoras de recursos, brasileiras e estrangeiras, que juntas administram mais de US$ 5,5 trilhões, valor equivalente a 2,4 vezes o PIB do Brasil. O resultado mostra algo pouco comum: juros altos e inteligência artificial empataram como o fator que mais pesa hoje nas decisões de investimento, cada um citado por 38% das gestoras. A tensão geopolítica, que costuma ocupar o topo dessas listas, apareceu bem atrás, mencionada por apenas 16%.

O motivo pelo qual a inteligência artificial ganhou esse peso não é apenas o entusiasmo com a tecnologia. Para quem toma decisões de alocação de capital, ela deixou de ser um assunto restrito a empresas de tecnologia e passou a funcionar como uma peça que mexe em toda a economia: influencia a produtividade das empresas, pressiona a inflação e, por tabela, interfere na trajetória dos juros. Na prática, isso significa que decisões sobre investir em automação, tecnologia ou expansão dentro da sua empresa também estão conectadas a esse movimento maior.

O que muda na forma de olhar para a IA

Apesar de toda a atenção, a maioria das gestoras não trata o momento como uma bolha prestes a estourar. Para 51% delas, o setor está em fase de maturação, com a infraestrutura sendo construída e os primeiros resultados concretos começando a aparecer. Outras 32% acreditam que o ciclo ainda está no início, com espaço para crescer mais. Apenas 14% enxergam sinais claros de exagero, com empresas valendo mais do que os resultados justificariam.

A aposta mais forte não está nos aplicativos e serviços que o público usa no dia a dia, e sim na estrutura por trás deles. Chips e hardware são a camada mais citada como oportunidade, por 59% das gestoras, seguida pela infraestrutura física dos data centers e pelo fornecimento de energia, mencionada por 51%. Dentro do setor elétrico, o destaque vai para redes de transmissão e distribuição, citadas por 46%, justamente porque os data centers estão consumindo cada vez mais eletricidade. Para empresas de energia e infraestrutura no Brasil, esse é um sinal de onde pode estar concentrada a demanda nos próximos anos.

Juros altos incomodam, mas não travam decisões

O custo do dinheiro mais elevado encarece as posições, mas para 51% das gestoras isso não muda a tese de investimento de fundo: é a diferença entre pagar mais caro por algo em que ainda se acredita e desistir do negócio. Ainda assim, nem todas as apostas resistiram ao último ano. Parte das casas que esperava um dólar mais fraco e migração de capital para outros mercados voltou a apostar nos Estados Unidos. Outra parte deixou de contar com cortes de juros mais rápidos, tanto no Brasil quanto no exterior. Para o empresário que planeja crédito, câmbio ou expansão, essa mudança de expectativa reforça que juros mais altos por mais tempo devem continuar no radar do planejamento financeiro.

É nesse cenário que o Brasil aparece bem posicionado. A concentração de cadeias produtivas estratégicas, como terras raras na China e semicondutores em Taiwan, é vista por 54% das gestoras como oportunidade de diversificação para produtores de outras regiões, grupo em que o país se encaixa. Em minerais críticos, o Brasil é apontado por 83% dos gestores como a região mais promissora. Quando o assunto é vantagem competitiva da América Latina, energia lidera com 70% das menções, impulsionada por renováveis, biocombustíveis e pré-sal, seguida por agronegócio, com 62%, e minerais críticos, com 57%. Apenas 19% não enxergam nenhuma vantagem clara na região. Em tecnologia, porém, a liderança segue americana: os Estados Unidos são vistos como líderes em inteligência artificial, defesa e saúde.

Temas que perderam força

Nem tudo que estava em alta continua no mesmo patamar. Remédios contra obesidade, como Ozempic e Wegovy, que dominaram as conversas em 2023 e 2024, perderam tração: 35% das gestoras já não veem espaço para ganhos expressivos nesse segmento. Crédito privado também esfriou, com 59% das casas deixando de tratá-lo como aposta relevante. Já as criptomoedas continuam sendo acompanhadas por 57% dos gestores como tendência, mas apenas 8% realmente alocam capital nelas, o que mostra mais curiosidade do que convicção.

Para o gestor de uma empresa brasileira, o recado prático desse levantamento é direto: o custo do crédito deve seguir pressionado por mais tempo, então vale reforçar o planejamento financeiro e evitar dependência excessiva de dívida cara

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