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Hub de inovação em Porto Alegre mostra como gestão de crise gera resultado

15/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 7 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Se você administra uma empresa e já passou por uma crise que parecia impossível de contornar, a trajetória do Instituto Caldeira pode trazer referências práticas. O hub de inovação instalado em Porto Alegre, liderado por Pedro Valério, nasceu durante a pandemia, um dos piores momentos possíveis para um negócio baseado em encontros presenciais, e hoje reúne mais de 550 empresas associadas, cerca de 700 startups e dez programas ativos. Em 2025, registrou receita operacional de R$ 45,8 milhões. A história por trás desses números mostra como decisões de gestão tomadas sob pressão podem sustentar um crescimento consistente.

Um negócio que nasceu em meio à incerteza

O projeto começou em um cenário que qualquer empresário reconheceria como arriscado: escritórios fechados, eventos cancelados e nenhuma garantia de que ambientes físicos de trabalho fariam sentido no curto prazo. Para Valério, a resposta não estava em prever o futuro, mas em agir. Segundo ele, o diferencial não foi uma estratégia revolucionária, e sim a disciplina de execução no dia a dia, mesmo sem certezas sobre o ambiente externo. É uma lição válida para qualquer gestor que adia decisões esperando um cenário "ideal" que talvez nunca chegue.

Antes de assumir o Caldeira, Valério acumulou experiência em setores bem diferentes: passou pela Câmara Americana de Comércio, atuando com ambiente de negócios e fomento ao empreendedorismo, e depois liderou operações de entretenimento e cultura no Grupo RBS. Foi essa bagagem variada que chamou a atenção do empresário Marciano Testa em 2019, quando o convidou para transformar uma iniciativa ainda inicial em uma plataforma de conexão entre empresas, empreendedores e investidores.

Como a operação se recuperou de duas crises

Depois da pandemia, o Rio Grande do Sul enfrentou as enchentes de 2024, que impuseram novas dificuldades à continuidade das atividades do instituto. Mesmo assim, a recuperação veio de forma relativamente rápida: a geração de caixa operacional já voltou a 93% do nível registrado antes do desastre. Em 2025, o Caldeira investiu R$ 13,7 milhões em infraestrutura e expansão (Capex), sinal de que a empresa seguiu apostando em crescimento mesmo após o abalo.

O impacto do hub vai além dos seus próprios números. Segundo dados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o ecossistema conectado ao instituto representa cerca de 15% do PIB do estado. Isso acontece porque o modelo de atuação do Caldeira conecta grandes empresas a startups que desenvolvem soluções para desafios corporativos reais, gerando negócios e abrindo acesso a capital para empreendimentos emergentes.

Resultados do ecossistema em 2025
R$ 83 milhõesem rodadas de captaçãomovimentados pelos programas de inovação aberta, alta de 20% sobre o ano anterior.
437 startupsno programa Conecta Caldeiraincluindo 13 internacionais, trabalhando em 15 desafios de multinacionais como Gerdau e John Deere.
R$ 48 milhõesfaturamento das startups participantesresultado acumulado das empresas envolvidas nos programas do hub.

Para quem gerencia equipes em momentos de instabilidade, vale observar o método adotado por Valério: ciclos curtos de trabalho, busca por resultados rápidos e alinhamento constante com o time. A ideia é simples e aplicável a qualquer negócio: reduzir a distância entre identificar um problema e agir sobre ele, evitando que a incerteza trave a operação. Segundo ele, liderar em crise não significa ter todas as respostas, mas colocar a equipe em movimento rapidamente, o que já ajuda a reduzir a ansiedade coletiva.

Gestão de pessoas: atrair em vez de prender

Outro ponto que interessa diretamente a quem lida com equipes é a visão do executivo sobre retenção de talentos, especialmente em tecnologia. Em vez de focar em prender profissionais qualificados, ele defende criar ambientes desafiadores o suficiente para que esses profissionais queiram ficar por conta própria. Na prática, isso significa estabelecer critérios claros de desempenho e não tolerar entregas inconsistentes, já que a acomodação com baixo desempenho tende a afastar justamente os melhores profissionais da empresa.

Olhando para frente, o desafio declarado do Instituto Caldeira é se consolidar como uma instituição capaz de funcionar além de seus fundadores, equilibrando expansão com disciplina operacional. Para empresários que pensam em sucessão ou em dar escala ao próprio negócio, a experiência reforça um ponto central: crescimento sustentável depende menos de grandes golpes de sorte e mais da capacidade de manter rotina, consistência e aprendizado contínuo ao longo do processo.

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