Hermès tem alta de 4,3% no trimestre puxada por bolsas e Américas
22/10/2026 16:043 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A grife francesa Hermès fechou o terceiro trimestre de 2026 com receita de € 4,1 bilhões, um crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, descontando o efeito da variação cambial. O resultado foi impulsionado principalmente pelas vendas de bolsas, artigos de couro e selaria, além do bom desempenho da marca nas Américas. Já na Ásia, sem contar o Japão, as vendas ficaram praticamente paradas na comparação anual.
No acumulado de janeiro a setembro, a receita total da companhia somou € 12,26 bilhões, um avanço de 5,5% frente aos nove primeiros meses de 2026, também sem considerar o câmbio. O terceiro trimestre respondeu por cerca de um terço de todo o faturamento acumulado no ano.
Quem puxou o crescimento
As Américas foram destaque: a receita da região cresceu 8,8% no trimestre, chegando a € 791 milhões, e acumula alta de 13,1% no ano, totalizando € 2,38 bilhões. A Europa (fora da França) também teve bom desempenho, com crescimento de 9% no acumulado do ano, enquanto o próprio mercado francês avançou 2,4%. O Japão seguiu em expansão, com alta de 10,5% até setembro.
Já a Ásia sem o Japão mostrou um cenário mais estável: a receita ficou praticamente no mesmo patamar no trimestre, em € 1,65 bilhão, com crescimento de apenas 1,6% no acumulado do ano, somando € 5,18 bilhões. A China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan, região que a Hermès chama de Grande China, mantiveram vendas estáveis, enquanto a Coreia do Sul ajudou a sustentar o desempenho da região. No Oriente Médio, a receita caiu 4,5% no trimestre e 4,3% no acumulado do ano.
O que puxou e o que freou os resultados
A divisão de artigos de couro e selaria, que inclui bolsas femininas e masculinas, artigos de viagem e produtos equestres, foi a grande responsável pelo bom momento da marca: faturou € 1,91 bilhão no trimestre, alta de 10,8%, e já soma € 5,67 bilhões no ano. Para dar conta da demanda, a empresa inaugurou em abril seu 25º ateliê de produção na França e planeja abrir mais três unidades no país até 2030.
Outras categorias também tiveram desempenho positivo: seda e tecidos cresceram 7% no acumulado do ano, joias e produtos para casa avançaram 3,3%, e perfumes e produtos de beleza subiram 7,5% no trimestre. Por outro lado, prêt-à-porter e acessórios caíram 2% no trimestre, e relógios recuaram 6%, mostrando que nem todas as linhas da marca seguem o mesmo ritmo de crescimento.
A variação cambial também pesou nos números: o impacto negativo foi estimado em € 310 milhões até setembro, o que explica por que o crescimento medido sem efeito do câmbio (5,5%) foi maior do que o avanço registrado nos valores efetivamente reportados em euros (2,9%). No primeiro semestre, a empresa teve lucro operacional de € 3,35 bilhões, equivalente a 41% da receita, e lucro líquido de € 2,24 bilhões, com margem de 27,4%.
Apesar do cenário de incertezas econômicas e geopolíticas, a Hermès manteve sua meta de crescimento de receita no médio prazo. Para quem acompanha o setor de luxo como referência de comportamento de consumo e investimento, o resultado da marca reforça um padrão: produtos de alto valor agregado e forte identidade de marca continuam resistindo bem mesmo em momentos de cautela econômica. Os resultados anuais de 2026 serão divulgados em 12 de fevereiro de 2027.
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