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Gasto por aluno no Brasil é um terço da média da OCDE: entenda

30/09/2026 15:034 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um levantamento recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) trouxe um dado que interessa diretamente a quem contrata e forma mão de obra no Brasil: o gasto anual por aluno no país, da educação básica ao ensino superior, somou US$ 4.133 em 2023. Esse valor equivale a cerca de 30% da média registrada pelos demais países avaliados pelo estudo, que foi de US$ 13.601 por estudante. A diferença ajuda a explicar por que o país ainda enfrenta dificuldades para formar profissionais qualificados em ritmo compatível com a demanda do mercado.

O relatório, chamado Panorama da Educação 2026, reúne dados de 50 países e serve como termômetro para medir o nível de investimento em educação ao redor do mundo. Para você, empresário ou gestor, esse tipo de informação não é apenas estatística distante: ela ajuda a entender o cenário de formação da força de trabalho que sua empresa vai encontrar nos próximos anos, seja para contratar, treinar ou reter talentos.

O que os números mostram

Mesmo gastando menos por aluno em valores absolutos, o Brasil investe uma fatia maior do PIB em educação do que a média da OCDE: 4,5% contra 4% em 2023. Ou seja, o país destina proporcionalmente mais recursos públicos ao setor, mas o resultado final por estudante ainda fica muito aquém. Isso acontece porque o Brasil tem uma população em idade escolar maior e uma economia menor per capita, o que dilui o investimento quando ele é dividido por aluno.

A comparação com vizinhos da América Latina reforça o problema: o Chile gastou US$ 5.794 por aluno e a Costa Rica, US$ 7.028, valores bem acima dos US$ 4.133 registrados no Brasil. O Ministério da Educação também destacou, em nota, que o investimento em proporção ao PIB vem caindo: passou de 5,5% em 2015 para 4,6% em 2023 no Brasil, movimento que acompanha uma tendência global, já que a média da OCDE também recuou de 4,4% para 4,2% no mesmo período.

Gasto anual por aluno em 2023 (em dólares)
US$ 4.133BrasilGasto médio por estudante da educação básica ao ensino superior.
US$ 13.601Média OCDEMais de três vezes o valor investido por aluno no Brasil.
US$ 7.028Costa RicaMaior investimento por aluno entre os exemplos latino-americanos citados.

Por que isso importa para o seu negócio

Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, chama atenção para um ponto prático: o gasto por aluno abaixo da média internacional compromete diretamente os resultados de aprendizagem, mesmo com o esforço proporcional maior do Brasil. Na prática, isso significa que, ao comparar o desempenho de trabalhadores formados no Brasil com os de outros países, é preciso considerar que a base de investimento educacional é muito diferente. Cobrar o mesmo nível de qualificação sem considerar essa desigualdade de recursos é, segundo ele, uma expectativa irrealista.

Para empresas que dependem de mão de obra técnica ou qualificada, esse cenário reforça a importância de investir em treinamento interno e programas de capacitação próprios, já que o sistema educacional público nem sempre consegue entregar, no ritmo necessário, profissionais prontos para as demandas específicas do mercado de trabalho. O relatório também mostra que o investimento por aluno cresce conforme avança o nível de ensino: no fundamental 1, o Brasil gastou US$ 4.064 por aluno em 2023, e no fundamental 2, US$ 4.390, valores bem distantes da média da OCDE, de US$ 12.893 e US$ 14.291, respectivamente.

Outro dado relevante para quem acompanha a gestão de recursos públicos é a composição dos gastos: no Brasil, 75% do orçamento operacional do ensino fundamental vai para o pagamento de professores e demais profissionais da educação, percentual ligeiramente abaixo da média da OCDE, de 79%. Isso indica que, proporcionalmente, o Brasil não destina mais recursos à infraestrutura em detrimento do pessoal, o gargalo está mesmo no volume total de investimento disponível por estudante.

Na prática, esses números servem de alerta para o planejamento de médio e longo prazo das empresas. Se a formação básica e técnica da força de trabalho segue limitada por recursos insuficientes, cabe ao setor privado reforçar parcerias com instituições de ensino, programas de estágio, aprendizagem e qualificação continuada, reduzindo a dependência de um sistema educacional que, segundo o próprio relatório, ainda está distante do padrão internacional em termos de investimento por aluno.

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