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Fundo uruguaio Capibara compra fatia da argentina Zafrán e mira o Cone Sul

15/10/2026 04:584 min de leituraAtualizado há 9 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um fundo de investimento de impacto sediado no Uruguai, chamado Capibara, acaba de fechar sua segunda operação e a primeira na Argentina. O alvo foi a Zafrán, uma pequena empresa de barras, granolas e biscoitos saudáveis com fábrica na região metropolitana de Buenos Aires. A Capibara comprou 25% do negócio e ganhou um assento no conselho de administração, mantendo o controle com os fundadores. O caso interessa a qualquer empresário brasileiro que pense em buscar sócios investidores ou em expandir para outros países da América do Sul, porque mostra na prática como funciona esse tipo de parceria.

O que muda para a Zafrán

A Zafrán nasceu em 2012, criada por dois empreendedores que começaram com um valor equivalente a pouco mais de mil reais em economias próprias, misturando frutos secos em um apartamento e entregando de bicicleta. Hoje a empresa fabrica mais de um milhão de barras por mês, emprega cerca de 50 pessoas (mais da metade delas contratadas depois de enfrentar alguma dificuldade para conseguir emprego) e faturou cerca de R$ 20,9 milhões em 2025, com projeção de chegar a R$ 24,75 milhões neste ano.

Com a entrada do novo sócio, parte do dinheiro será usada para modernizar a fábrica: a empresa prevê investir cerca de R$ 2,75 milhões para reorganizar o depósito, melhorar a tecnologia de embalagem, instalar uma máquina de embalar granola e montar uma nova linha de barras prensadas, com equipamentos importados da Turquia. As obras devem levar cerca de seis meses.

Até agora, a marca vendia fora da Argentina apenas por exportação para a Bolívia e por meio de distribuidores. O plano é mudar isso: a ideia é entrar no Chile em 2027, usando as barras como primeiro produto, e depois avançar para Uruguai e Paraguai, aproveitando a rede de contatos da Capibara nesses mercados.

Como funciona esse tipo de investimento

A Capibara não é um fundo tradicional, e sim uma estrutura jurídica chamada fideicomisso, criada por pessoas ligadas ao movimento das Empresas B (negócios certificados por práticas sociais e ambientais) na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. Ela só compra participações minoritárias, justamente para deixar o controle do negócio com quem fundou a empresa. Os aportes costumam variar entre o equivalente a R$ 4,1 milhões e R$ 5,5 milhões, liberados em etapas conforme o desempenho da empresa investida.

O foco da tese de investimento é o setor de alimentos, cobrindo desde a produção até a logística, o processamento e a economia circular. Mas não é só questão de retorno financeiro: a estrutura busca empresas que tenham interesse genuíno em resolver problemas ligados à alimentação. A Zafrán se encaixou porque atua nesse setor, está em um dos quatro países-alvo e já é Empresa B certificada desde 2020.

A operação em números
25%participação adquiridafatia minoritária comprada pela Capibara na Zafrán.
R$ 20,9 milhõesfaturamento em 2025com projeção de R$ 24,75 milhões neste ano.
R$ 2,75 milhõesinvestimento na fábricaprevisto para modernizar embalagem e depósito.

Além do dinheiro, o fundo também ajuda na gestão: participa do conselho, acompanha planos de ação e cobra, uma vez por ano, um relatório formal sobre indicadores de impacto social, ambiental e de governança. Segundo a cofundadora da Capibara, essa prestação de contas é o que dá segurança para quem coloca dinheiro na estrutura.

Por que isso importa para quem empreende no Brasil

O caso da Zafrán ilustra um caminho que também existe por aqui: buscar um investidor estratégico que entre como sócio minoritário, traga capital em etapas vinculadas a metas de desempenho e ajude a organizar processos, abrir novos canais de venda e até planejar entrada em outros países. Para pequenas e médias empresas brasileiras que têm um propósito claro (seja ambiental, social ou de inclusão), vale observar esse modelo: ele mostra que é possível crescer sem perder o controle do negócio e que existe demanda de investidores por empresas com esse perfil, mesmo em um mercado ainda em formação.

A estrutura uruguaia já tem outra empresa no portfólio, a chilena Ecoterra, e pretende fechar mais operações em breve, diversificando entre os quatro países onde atua. A gestora reconhece que começar um fundo assim tem desafios, especialmente para provar resultados no início, mas aposta que existe espaço de encontro entre empresas com propósito e investidores que querem se conectar diretamente a elas. Para o empresário brasileiro que pensa em se profissionalizar, buscar sócio ou expandir regionalmente, fica a lição prática: ter governança organizada, metas claras e um propósito bem definido pode ser o que diferencia sua empresa na hora de atrair esse tipo de capital.

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