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Filantropia familiar no Brasil: por que doações crescem mas não se mantêm

06/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 28 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Brasil ganhou um reconhecimento raro no mundo da filantropia: Paula Fabiani, economista e CEO do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), se tornou a primeira brasileira a entrar na lista das cem pessoas mais influentes da filantropia global, publicada pela revista TIME. O feito, segundo ela, já mudou a forma como o país é visto por investidores sociais internacionais e abriu portas que antes levavam meses para serem destrancadas. Para você que administra um negócio ou lidera decisões de investimento social na sua empresa, esse movimento importa porque sinaliza uma mudança de percepção: o Brasil deixa de ser visto apenas como destinatário de ajuda e passa a ser encarado como fonte de soluções e parceiro em projetos filantrópicos.

O que muda com o reconhecimento internacional

Segundo Fabiani, a inclusão na lista da TIME, ao lado de nomes como MacKenzie Scott, Michael e Susan Dell e Rihanna, teve efeito prático imediato: reuniões que antes demoravam quase um ano para serem agendadas passaram a se concretizar em poucas semanas. Esse tipo de visibilidade tende a facilitar parcerias, doações e trocas de conhecimento entre organizações brasileiras e internacionais. Um exemplo concreto já aconteceu: MacKenzie Scott doou US$ 1,5 milhão ao IDIS em 2024, recurso usado para estimular famílias e fundações brasileiras a contribuírem com um fundo criado justamente para fomentar a filantropia nacional.

Quem é afetado: o potencial não aproveitado das famílias e empresas

Apesar do destaque internacional, Fabiani é direta ao apontar que o Brasil ainda deixa muito recurso na mesa. Segundo ela, a filantropia de grandes famílias com alto poder aquisitivo avançou nos últimos anos, mas de forma tímida em relação ao que o país poderia mobilizar. Esse recado vale tanto para famílias empresárias quanto para companhias que ainda tratam ações sociais como iniciativas pontuais, ligadas a campanhas emergenciais, em vez de encará-las como parte de uma estratégia de longo prazo. Se você é gestor de uma empresa familiar ou de um negócio com faturamento relevante, essa é uma oportunidade de repensar como o investimento social pode se tornar mais estruturado e contínuo, gerando reputação e impacto real, em vez de respostas isoladas a tragédias.

Prevenção em vez de reação: os fundos comunitários

Um exemplo prático dessa mudança de abordagem está em teste em quatro territórios: São Miguel Paulista (SP), Grande Belo Horizonte (MG), Paraty (RJ) e Maceió (AL). O programa Transformando Territórios, do IDIS, criou fundos emergenciais preventivos com aporte inicial de R$ 50 mil em cada localidade, tratados como capital semente para organizar governança, mapear riscos e articular empresas, moradores e poder público antes que a próxima enchente ou seca aconteça. Parte do dinheiro fica reservada para ser usada quando a emergência realmente ocorrer, mas a lógica central é inverter o ciclo tradicional, em que a mobilização financeira só cresce depois que as imagens da tragédia tomam as redes sociais e perde força quando a comoção passa.

Segundo Rosana Ferraiuolo, gerente do programa, o objetivo é fazer com que empresas, fundações e pessoas físicas passem a olhar de forma permanente para esses territórios, e não apenas em momentos de crise. Para negócios que operam ou têm interesse em regiões vulneráveis a desastres climáticos, esse modelo oferece um caminho de atuação: apoiar fundos locais de forma recorrente pode ser mais eficiente, e mais barato no longo prazo, do que socorrer emergências depois que elas já causaram danos. Os primeiros indicadores de resultado devem começar a aparecer em 2027, avaliando governança, capacidade de atrair novos apoiadores e sustentabilidade financeira dos fundos.

Os números da doação no Brasil

A Pesquisa Doação Brasil 2024, do IDIS em parceria com a Ipsos, traz um retrato que ajuda a entender o comportamento do doador brasileiro. O volume estimado de doações institucionais feitas por pessoas físicas somou R$ 24,3 bilhões em 2024, um salto real de 64% em relação aos R$ 14,8 bilhões de 2022. Ao mesmo tempo, as contribuições ficaram mais espaçadas: a parcela de doadores que contribuía mensalmente caiu, enquanto cresceu quem doa apenas a cada seis meses. Ou seja, há mais dinheiro circulando, mas menos constância, um desafio direto para organizações sociais que dependem de receita previsível para planejar suas ações.

Indicador20222024
Volume de doações institucionais (pessoas físicas)R$ 14,8 bilhõesR$ 24,3 bilhões
Mediana anual doada por pessoaR$ 300R$ 480
Doadores que contribuíam mensalmente44%39%
Doadores que contribuíam a cada 6 meses9%12%
Fizeram alg

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