Fertilizantes mais caros: o que a crise do gás pode custar ao seu negócio
22/10/2026 11:104 min de leituraAtualizado há 11 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A Yara, uma das maiores produtoras mundiais de fertilizantes, anunciou que vai reduzir ainda mais sua produção no quarto trimestre. O motivo é a alta expressiva nos preços do gás natural na Europa, insumo que é, ao mesmo tempo, matéria-prima e fonte de energia na fabricação de fertilizantes. Para quem administra uma propriedade rural, uma indústria que depende de insumos agrícolas ou um negócio ligado à cadeia do agronegócio, esse tipo de notícia merece atenção: oscilações no custo de produção lá fora costumam chegar, cedo ou tarde, ao preço pago aqui.
O que está acontecendo
Segundo a empresa, os cortes agora são ainda maiores do que os feitos no terceiro trimestre, justamente porque os preços do gás natural subiram mais forte nos últimos meses. No trimestre anterior, a Yara já havia reduzido a produção em 150 mil toneladas de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados, principalmente em uma fábrica na Itália. No ano, a produção de amônia da empresa já caiu 11%.
O problema não é exclusivo da Yara. Com o gás mais caro, produtores de fertilizantes em toda a Europa estão reduzindo a fabricação e passando a depender mais de amônia importada, justamente num momento em que os mercados de energia seguem instáveis. A própria empresa afirmou que, se os preços continuarem altos no continente, pode passar a comprar amônia de outras regiões do mundo para driblar o custo local.
Por que isso pode afetar seu bolso
Fertilizante é um dos insumos mais sensíveis para quem produz alimentos, e o Brasil importa boa parte do que usa. Quando fábricas na Europa reduzem produção, a oferta global fica mais apertada, o que tende a pressionar preços também para compradores brasileiros. Some-se a isso um fator logístico citado pela reportagem: cerca de um terço do fluxo mundial de fertilizantes costuma passar pelo Estreito de Ormuz, rota que vem sofrendo interrupções desde o início da guerra na região. Menos rota disponível, mais pressão sobre preço e prazo de entrega.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já projeta que a inflação global de alimentos deve acelerar ainda mais e persistir até boa parte de 2027, puxada justamente por interrupções no transporte marítimo e pelo custo mais alto dos fertilizantes. Para quem compra insumo, vende commodity ou revende alimentos, esse é um sinal de que o cenário de custos mais altos não deve ser passageiro.
Os números divulgados pela empresa dão uma ideia da dimensão do impacto: a Yara estima custos adicionais de US$ 450 milhões com gás natural no quarto trimestre de 2026 e mais US$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2027, sempre na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. No terceiro trimestre, o lucro ajustado da empresa (Ebitda) ficou em US$ 675 milhões, cerca de 10% abaixo do que analistas esperavam. Além do gás, a própria empresa citou que a demanda por fertilizantes ficou mais fraca no período, o que também pesou sobre margens e entregas.
Como se preparar
Para empresários que dependem de fertilizantes, seja produtor rural, cooperativa, revenda de insumos ou indústria de alimentos, o momento pede planejamento financeiro mais cuidadoso. Negociar contratos de fornecimento com antecedência, revisar o fluxo de caixa considerando um possível aumento de custo de insumos e acompanhar de perto a formação de preços são medidas que ajudam a reduzir surpresas. Na contabilidade, isso também significa reavaliar projeções de custo, margem e precificação para os próximos meses, já que o cenário internacional aponta para pressão de custos prolongada, e não para um episódio isolado.
O caso da Yara é um lembrete de como decisões tomadas do outro lado do mundo, envolvendo preço de energia e logística internacional, podem impactar diretamente o custo de produção de quem está no Brasil. Ficar de olho nesses movimentos e ajustar o planejamento financeiro com antecedência é a melhor forma de proteger a margem do seu negócio diante de um cenário que, segundo projeções do setor, deve continuar pressionado por um bom tempo.
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