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Exportação de milho para a Europa cresce: o que isso significa para o produtor

21/10/2026 17:403 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você trabalha com produção, comercialização ou exportação de milho, vale ficar de olho em um movimento que está aquecendo o mercado externo: a Europa deve comprar muito mais milho do Brasil em outubro. Segundo relatório da corretora Stag International, os embarques brasileiros para países europeus devem saltar para 1,65 milhão de toneladas, contra cerca de 200 mil toneladas no mesmo período do ano passado. É um salto expressivo, e ele não acontece por acaso.

Por que a Europa está comprando mais do Brasil

Dois fatores explicam esse movimento. Primeiro, a Ucrânia, tradicional fornecedora de milho para os vizinhos europeus, está exportando menos porque sua infraestrutura portuária foi atingida por ataques russos. Segundo, a própria União Europeia colheu uma safra ruim: a produção de milho do bloco para 2026 deve cair ao menor nível deste século, cerca de 48 milhões de toneladas, segundo a Comissão Europeia. Com menos milho disponível internamente e menos oferta da Ucrânia, os europeus precisaram buscar fornecedores em outros lugares, e o Brasil está entre os principais beneficiados.

Os números confirmam a tendência: as importações de milho da União Europeia dispararam 40% no acumulado da safra 2026/27 até meados de outubro. Por enquanto, os Estados Unidos ainda lideram como principais fornecedores, com o Brasil em segundo lugar. Mas isso pode mudar em breve.

Brasil pode ganhar ainda mais espaço

De acordo com a Stag, o milho produzido na América do Sul, incluindo Brasil e Argentina, está mais competitivo em preço do que o americano no momento. A corretora avalia que essa vantagem deve se manter ao longo de dezembro e janeiro, podendo se estender até fevereiro. Na prática, isso significa que, se os preços nos Estados Unidos não caírem para recuperar competitividade, o Brasil tem boas chances de continuar ampliando sua fatia nesse mercado nos próximos meses.

Milho brasileiro na Europa
1,65 milhão de toneladasexportação prevista para outubroante cerca de 200 mil toneladas no mesmo mês do ano passado.
40%alta nas importações da UEacumulado da safra 2026/27 até meados de outubro.
quase 7 milhões de toneladasexportação total do Brasil em outubroprojeção da Anec, mais de 1 milhão de toneladas acima do mesmo mês do ano anterior.

Esse cenário favorável também ajuda a explicar por que a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou para cima sua projeção de exportação total de milho do Brasil em outubro, que deve chegar a quase 7 milhões de toneladas, um aumento de mais de 1 milhão de toneladas em relação ao mesmo mês do ano passado. A entidade não detalhou para onde vai esse milho, mas os dados de navios previstos para atracar nos portos brasileiros no mês mostram a Espanha como um dos principais destinos.

Vale lembrar que, apesar da safra recorde colhida em 2026, o Brasil não costuma exportar tanto milho quanto poderia, porque boa parte da produção é consumida internamente pela indústria de etanol de grãos, que está em alta demanda. Isso significa que o espaço para exportação depende de um equilíbrio entre o que sobra da safra e o que o mercado interno consome.

O que isso muda para quem produz ou comercializa milho

Para produtores rurais, tradings e cooperativas, esse movimento de aumento na demanda europeia é uma oportunidade real de melhorar a rentabilidade das vendas externas nos próximos meses, especialmente entre dezembro e fevereiro, período em que a vantagem competitiva do milho sul-americano deve se manter, segundo a análise da Stag. Se você atua nessa cadeia, é um bom momento para acompanhar de perto os preços de referência internacionais e avaliar o timing das negociações de exportação, já que o cenário pode se manter favorável, mas também pode mudar rapidamente conforme os preços americanos reagirem.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.