Exportação de carne: por que o Brasil ainda pode crescer no mercado global
06/08/2026 04:584 min de leituraAtualizado há 28 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Lucro Real, atualizado a cada mudança de norma.
O Brasil já é uma potência na produção e exportação de carne de frango, carne suína e ovos, mas segundo executivos reunidos no Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, em São Paulo, o setor ainda está longe do limite. A avaliação, compartilhada por nomes como Miguel Gularte, da MBRF, João Campos, da Seara, e Neivor Canton, da Aurora Coop, é direta: a procura mundial por essas proteínas continua maior do que a capacidade de oferta, o que abre espaço para produtores, indústrias e toda a cadeia de fornecedores ampliarem negócios nos próximos anos.
Para você que atua no agronegócio, seja como produtor integrado, indústria processadora ou fornecedor de insumos e serviços, esse cenário é relevante porque indica um ciclo de expansão sustentado, e não um pico passageiro. As projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram crescimento tanto na produção interna quanto nas exportações, o que tende a se refletir em mais oportunidades de contratos, investimentos e geração de caixa ao longo da cadeia.
O que os números mostram
Segundo a ABPA, a produção nacional de carne de frango pode crescer até 5,6% em 2026, enquanto a carne suína deve avançar até 5% e a produção de ovos, 4,1%. No comércio externo, a expectativa é de alta de até 10,3% nas exportações de carne de frango e de 5,9% na carne suína. Em 2025, o setor já havia exportado 6,7 milhões de toneladas entre carne de frango, carne suína e ovos, um crescimento de 2,8% em volume e 3,3% em valor na comparação com o ano anterior, somando US$ 13,3 bilhões.
| Indicador | Projeção 2026 |
|---|---|
| Produção de frango | até +5,6% |
| Produção de suínos | até +5% |
| Produção de ovos | +4,1% |
| Exportação de frango | até +10,3% |
| Exportação de suínos | +5,9% |
Esses números importam na prática porque sinalizam para onde o mercado está indo. Se você fornece serviços, equipamentos ou insumos para essa cadeia, ou se sua empresa exporta diretamente, esse crescimento projetado pode significar mais demanda por capacidade produtiva, o que costuma exigir planejamento financeiro, tributário e de investimento com antecedência.
Diversificar para crescer com menos risco
Um ponto que apareceu com força nas discussões foi o risco de depender demais de um único comprador internacional. Executivos citaram o exemplo da China, cuja demanda por carne suína tem oscilado, e da Rússia, que já perdeu relevância como destino de exportações no passado. A leitura dos líderes do setor é que o Brasil precisa continuar abrindo novos mercados, especialmente na Ásia, na África e no chamado Sul Global, para não ficar exposto a mudanças de política ou de demanda de um único país.
Para negócios que dependem de exportação, essa é uma lição prática: concentrar vendas em poucos clientes ou poucos países aumenta a vulnerabilidade do caixa e do planejamento de longo prazo. Empresas que já vendem para múltiplos destinos tendem a sofrer menos com oscilações pontuais de demanda, e esse raciocínio vale tanto para grandes exportadoras quanto para negócios menores que fornecem para a cadeia produtiva.
Agregar valor como estratégia de futuro
Outro recado importante dos debates foi a necessidade de o Brasil vender menos commodity básica e mais produto industrializado, com marca própria e presença mais próxima do consumidor final. Segundo os executivos, isso passa por investir em tecnologia, integração entre produtores e indústria, e capacidade de resposta rápida às mudanças de mercado. A ideia é que o diferencial competitivo brasileiro não está apenas em produzir muito, mas em produzir melhor e de forma mais eficiente a cada ciclo.
Na prática, isso significa que negócios ligados a essa cadeia que buscarem se posicionar em produtos de maior valor agregado, em vez de apenas volume, têm mais chance de sustentar margens e crescer de forma mais previsível. Esse é um movimento que exige planejamento tributário e financeiro adequado, já que mudanças de portfólio, novos mercados de destino e investimento em industrialização impactam diretamente a estrutura de custos e a carga tributária da empresa.
Se sua empresa faz parte dessa cadeia, seja como produtor, fornecedor ou prestador de serviço, vale acompanhar de perto como essas tendências de diversificação de mercados e agregação de valor podem afetar seu planejamento para 2026. A GL Inteligência Contábil está à disposição para ajudar você a organizar as finanças e a estrutura tributária do seu negócio diante desse cenário de crescimento e mudança no comércio internacional de proteína animal.
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