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Exame de sangue para Alzheimer: como funciona e quanto custa

16/10/2026 16:213 min de leituraAtualizado há 51 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você já deve ter ouvido falar da dificuldade e do custo envolvidos no diagnóstico de Alzheimer. Isso começou a mudar: a Anvisa aprovou o primeiro exame de sangue brasileiro voltado à identificação da doença. A novidade está disponível inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e promete ser uma alternativa mais simples a exames caros e invasivos, como a punção lombar e os exames de imagem de alta complexidade.

Se você é gestor de clínica, laboratório ou empresa da área da saúde, essa aprovação sinaliza uma mudança de rota no diagnóstico de doenças neurodegenerativas no Brasil. E se você lida com planos de saúde, benefícios corporativos ou políticas de cuidado com colaboradores mais velhos, vale entender como esse exame funciona, quanto custa e quem pode usá-lo.

O que muda

O exame mede uma proteína chamada p-tau217, associada às alterações cerebrais típicas do Alzheimer. Diferente dos métodos tradicionais, que exigem punção lombar ou exames de imagem sofisticados, o novo teste é feito a partir de uma simples coleta de sangue, com processamento automatizado que garante resultados consistentes entre diferentes laboratórios.

O custo no setor privado gira em torno de R$ 3 mil. Não há, por enquanto, cobertura pela rede pública. Um detalhe importante: o Ministério da Saúde informou que ainda não recebeu nenhum pedido formal da Conitec, o órgão responsável por avaliar a incorporação de novas tecnologias ao SUS, para considerar o exame no sistema público. Ou seja, mesmo que o Hospital Moinhos de Vento planeje buscar parcerias via Proadi-SUS ainda em 2026, não existe hoje nenhum processo em andamento para isso.

Há também uma opção mais barata no mercado: o laboratório Richet, em parceria com o Instituto D'Or, oferece um exame semelhante por R$ 1,8 mil. Essa alternativa ainda funciona sob modelo de pesquisa, enquanto o registro comercial formal não é concluído.

Quem pode fazer o exame

Esse não é um teste para qualquer pessoa curiosa sobre sua saúde cerebral. Ele é indicado exclusivamente para quem já apresenta queixas cognitivas, como perda de memória ou dificuldades de raciocínio, e tem mais de 50 anos. Não serve como rastreamento preventivo em pessoas sem sintomas, nem é recomendado para quem está abaixo dessa faixa etária.

O exame em números
R$ 3 milpreço médio privadosem cobertura pelo SUS no momento.
+90%assertividadeem sintomáticos acima de 50 anos.
15% a 20%resultados inconclusivosexigem reavaliação ou exames complementares.

Os estudos da plataforma usada no exame mostram assertividade superior a 90% na detecção ou descarte da alteração ligada ao Alzheimer. Ainda assim, entre 15% e 20% das amostras trazem resultados intermediários, que exigem acompanhamento anual ou exames complementares, como PET ou punção lombar, para confirmação.

Por que isso importa para o seu negócio

Para empresas da área da saúde, como clínicas, laboratórios e hospitais, essa aprovação abre uma nova linha de serviço com potencial de crescimento, já que reduz custos operacionais em comparação aos métodos tradicionais e oferece mais conveniência ao paciente. Para empresas de outros setores que lidam com planos de saúde corporativos ou benefícios para funcionários mais velhos, vale acompanhar se essa tecnologia passa a ser incorporada nas coberturas oferecidas pelos convênios.

O diagnóstico precoce também tem relevância econômica indireta: medicamentos recentes, como donanemabe e lecanemabe, podem reduzir em até 30% o ritmo do declínio cognitivo quando usados logo no início da doença. Isso reforça o valor de identificar o problema cedo, tanto para o paciente quanto para quem planeja políticas de saúde e previdência privada ligadas ao envelhecimento da população.

Por enquanto, o acesso segue restrito à rede privada e a um público específico. Se você atua no setor de saúde, o recomendável é acompanhar os próximos passos regulatórios e eventuais movimentações da Conitec, que ainda não recebeu nenhum pedido de avaliação para incorporação do exame ao SUS.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.