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EUA proíbem DeepSeek em órgãos do governo: entenda o motivo

19/10/2026 17:553 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O governo dos Estados Unidos decidiu banir o uso da DeepSeek, inteligência artificial desenvolvida na China, dentro das agências civis federais. A determinação partiu do Departamento de Segurança Interna (DHS) e também proíbe que órgãos públicos comprem produtos da empresa ou contratem serviços de terceiros construídos em cima da tecnologia chinesa. Embora a medida valha para o setor público americano, ela ajuda a entender um movimento mais amplo de desconfiança em relação a ferramentas de IA estrangeiras, algo que pode影响 decisões de empresas privadas no mundo todo, inclusive no Brasil, na hora de avaliar riscos ao adotar essas tecnologias.

O que motivou a proibição

Segundo o DHS, os modelos da DeepSeek representam "múltiplos vetores de ameaça". A principal preocupação é que o uso da ferramenta por funcionários ou fornecedores do governo americano possa resultar na transferência de dados sensíveis para a China. O departamento também alertou que o uso do DeepSeek por órgãos públicos poderia gerar informações de inteligência sobre cidadãos americanos e instituições governamentais, além do risco de os próprios modelos conterem malware ou outras falhas de segurança.

Como parte das medidas, o DHS publicou um memorando, inicialmente emitido em julho, orientando as agências federais a monitorar o tráfego de dados que entra e sai dos sites do governo, justamente para identificar riscos ligados ao uso da tecnologia chinesa.

Quem já havia tomado medidas parecidas

A proibição federal não é isolada. Antes dessa decisão, órgãos como o Departamento de Comércio e a Marinha dos Estados Unidos já haviam vetado o uso do DeepSeek em seus dispositivos. No nível estadual, Nova York, Tennessee e Virgínia também adotaram restrições semelhantes. Isso mostra que a desconfiança em relação à ferramenta já vinha crescendo antes da decisão nacional ser formalizada.

Outras restrições dos EUA à tecnologia chinesa
82%de eletrônicos testados na Chinapercentual de produtos eletrônicos americanos testados na China no ano passado.
29 de outubrovotação da FCCdata em que a Comissão Federal de Comunicações vai decidir sobre proibir testes de dispositivos por empresas chinesas.

O caso do DeepSeek se soma a uma série de outras restrições dos Estados Unidos contra tecnologia chinesa. Em dezembro, a FCC (Comissão Federal de Comunicações) proibiu a importação de novos modelos de drones e de roteadores de consumo fabricados na China. Em julho, a agência também vetou a venda, no país, de dispositivos com componentes de hardware de empresas chinesas consideradas risco à segurança nacional, e propôs impedir que operadoras de telecomunicações americanas se conectem a empresas chinesas do setor classificadas da mesma forma.

Ainda neste mês, a FCC vai votar, em 29 de outubro, uma proposta para proibir que empresas chinesas façam testes de dispositivos eletrônicos, como smartphones, câmeras e computadores, destinados ao mercado americano. A medida é relevante porque, segundo dados citados no próprio contexto da decisão, 82% dos produtos eletrônicos americanos foram testados na China no ano passado, o que mostra o peso da cadeia de produção chinesa mesmo para empresas dos Estados Unidos.

Até o momento, a Embaixada da China em Washington não se pronunciou sobre a proibição do DeepSeek.

Para empresários brasileiros, o episódio é um lembrete prático: antes de adotar qualquer ferramenta de inteligência artificial no dia a dia do negócio, especialmente em áreas que lidam com dados de clientes, financeiros ou estratégicos, vale checar a procedência da tecnologia, as políticas de privacidade do fornecedor e se há restrições de uso em outros países. Mesmo sem relação direta com a legislação brasileira, decisões como essa influenciam o debate global sobre segurança de dados e podem antecipar discussões regulatórias que cheguem por aqui.

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