Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Uma nova lista da Forbes elegeu as cem empresas mais inovadoras dos Estados Unidos, com base em um índice que cruza patentes, investimento em pesquisa, confiança de investidores e até a percepção do público nas redes sociais. No topo aparecem a farmacêutica Eli Lilly, a Apple e, na décima posição, a Mastercard. Ainda que a lista trate de gigantes americanas, os motivos que as colocaram lá servem de referência prática para qualquer gestor: elas mostram onde o mercado está de olho e que tipo de inovação realmente gera confiança e resultado financeiro.
O que muda
A principal novidade está no critério de avaliação. Em vez de depender só de opinião de especialistas, a Forbes criou um índice, batizado de Innovation Index, que mede dados objetivos: volume de patentes, retorno sobre patrimônio líquido, foco em pesquisa e desenvolvimento, e reação de públicos a comunicados e notícias das empresas. Isso é aplicado a todas as companhias do S&P 500, e as cem primeiras colocadas compõem a lista. Um detalhe chama atenção: pela primeira vez, a Forbes usou audiências sintéticas, criadas por inteligência artificial a partir de comportamentos reais de investidores, jornalistas e consumidores, para simular como esses públicos reagiriam a anúncios e declarações das empresas.
Esse método explica, por exemplo, por que a Boeing aparece bem posicionada mesmo depois de problemas de segurança recentes: a análise identificou um discurso consistente de inovação e engajamento do próprio presidente da empresa, além de uma carteira diversa de patentes que vai de engenharia a software.
Quem lidera e por quê
A Eli Lilly ficou em primeiro lugar puxada pela velocidade de lançamento de novos medicamentos, com destaque para os remédios à base de GLP-1 usados no tratamento de obesidade, como o Mounjaro e o Zepbound, além de um medicamento em testes que reduziu em média 28% do peso corporal em ensaios clínicos, resultado até então visto principalmente em cirurgias. O desempenho nos negócios acompanhou a inovação: as ações da empresa subiram 79% no último ano, levando o valor de mercado a US$ 1,17 trilhão.
A Amazon, na sexta posição, foi reconhecida pelo avanço em robótica aplicada à logística. Os robôs Proteus, que transportam estruturas carregadas de pacotes dentro dos centros de distribuição, já operam em cerca de 25 das 300 instalações da empresa que usam sistemas robóticos. O caso da Amazon traz um aprendizado interessante sobre gestão de mudança: o maior obstáculo não foi tecnológico, mas humano. Funcionários curiosos se aglomeravam para observar os robôs e acabavam atrapalhando as rotas programadas. A solução veio com ajustes simples, como luzes indicando a direção do robô e sinais sonoros de alerta, até que a equipe se acostumasse com a presença deles no dia a dia.
Já a Mastercard chama atenção por um problema bem concreto que qualquer empresa que lida com pagamentos vai enfrentar em breve: o consumo feito por assistentes de inteligência artificial, sem clique humano em "comprar". A empresa está desenvolvendo uma stablecoin para facilitar transações internacionais entre moedas diferentes, além de mecanismos para autorizar agentes de IA a conhecer hábitos de consumo e realizar compras em nome do cliente. Para times de prevenção a fraudes, esse é um desafio real: como diferenciar uma compra autorizada pelo dono do cartão de uma fraude cometida por criminoso, quando não existe mais o gesto tradicional de confirmar a compra.
O que isso significa para o seu negócio
Mesmo que sua empresa esteja longe do porte de uma Lilly ou de uma Amazon, o ranking traz sinais úteis. Primeiro, o mercado está recompensando financeiramente empresas que investem em pesquisa e conseguem transformar isso em produto rápido, não apenas em ideias. Segundo, a forma como uma empresa comunica sua inovação, incluindo declarações de executivos e postagens em redes sociais, já é medida como parte do valor da marca. Terceiro, e talvez o ponto mais urgente para quem trabalha com pagamentos, vendas online ou atendimento ao cliente: a automação por inteligência artificial vai exigir revisão de processos de segurança e autorização de compras, já que decisões que antes dependiam de um clique humano estão sendo delegadas a assistentes digitais.
Para o gestor brasileiro, o recado prático é acompanhar de perto como fornecedores de tecnologia e meios de pagamento estão adaptando suas soluções a esse novo cenário de compras automatizadas por IA, além de observar se a própria comunicação da empresa, interna e externa, está alinhada com a inovação que ela de fato entrega. Ranking e métricas à parte, o fio condutor entre as líderes da lista é claro: inovação que gera confiança de investidores e consumidores vem de resultado concreto, não apenas de discurso.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
