Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você é empresário ou gestor de RH, prepare-se para um mercado de trabalho mais aquecido e mais concorrido pela mão de obra jovem. O Brasil aparece em segundo lugar entre os países com maior intenção de contratação no mundo, segundo pesquisa do ManpowerGroup, e o principal motor desse movimento é a busca por talentos em início de carreira, o famoso perfil júnior. Isso muda a forma como muitas empresas vão precisar planejar contratações, treinamentos e retenção de pessoal nos próximos meses.
O cenário é sustentado por números fortes do mercado de trabalho como um todo. O Brasil fechou 2025 com 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior número já registrado desde 2012, segundo dados do IBGE. Ao mesmo tempo, o total de desocupados caiu para 6,1 milhões, também o menor patamar da série histórica. Ou seja: tem mais gente trabalhando e menos gente disponível no mercado, o que aumenta a disputa por profissionais, especialmente os mais experientes.
O que muda
De acordo com a pesquisa, 62% das empresas brasileiras planejam ampliar seus quadros entre outubro e dezembro deste ano. Esse otimismo resulta em uma expectativa líquida de emprego de 53%, índice que considera a diferença entre empresas que pretendem contratar e as que planejam demitir. É um salto de 18 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado e coloca o Brasil muito acima da média mundial, de 29%, e à frente de países vizinhos como Panamá (49%) e México (41%). Só a Índia (54%) supera o Brasil nesse ranking.
O detalhe mais relevante para quem gerencia equipes é a direção dessa contratação: 65% dos empregadores brasileiros afirmam estar acelerando a busca por talentos em início de carreira, uma margem 20 pontos percentuais acima da média global. Isso vai na contramão do que acontece em países do Hemisfério Norte, onde a inteligência artificial vem reduzindo justamente as vagas de nível inicial. Na Suíça, por exemplo, esse tipo de vaga caiu 32% em 2025 na comparação com a média entre 2019 e 2022. Nos Estados Unidos, empresas que adotaram IA generativa reduziram em 7,7% as contratações júnior depois de seis trimestres, segundo estudo de Harvard.
Quem é afetado
Esse movimento não é um caso isolado de um ou outro setor: ele atravessa diferentes áreas da economia. Segundo a pesquisa, manufatura (69%), finanças e seguros (67%) e informação (67%) lideram a formação de talentos internamente. Já em termos de intenção geral de contratação, o destaque vai para finanças e seguros (63%), construção e imobiliário (61%) e informação (59%). Isso significa que, se seu negócio está em algum desses setores, é provável que você sinta ainda mais concorrência por mão de obra qualificada e também mais espaço para formar equipe própria.
A localização também importa. São Paulo lidera com folga a expectativa de contratação, com 65%, puxado pela concentração de sedes bancárias e polos de inovação. Na sequência vêm Rio de Janeiro (58%), Paraná (49%) e Minas Gerais (37%). Empresas nesses estados tendem a sentir primeiro o efeito da maior competição por profissionais, principalmente os mais experientes.
Como se preparar
A explicação para essa aposta brasileira em perfis júnior está na escassez de profissionais seniores qualificados e no custo cada vez mais alto para contratá-los. Diante disso, muitas empresas optaram por formar talentos internamente, em vez de disputar caro por quem já tem experiência pronta. Para o seu negócio, isso pode significar repensar o processo seletivo, investir em programas de treinamento e adaptar a cultura interna para acolher profissionais mais jovens, que vão precisar de mais capacitação no início, mas podem trazer redução de custo e menor rotatividade no médio prazo.
Na prática, o recado é claro: o mercado de trabalho brasileiro está mais aquecido do que a média mundial, e quem investir em atrair, treinar e reter talentos iniciantes agora tende a sair na frente na disputa por mão de obra em 2026. Vale revisar o planejamento de contratações do próximo trimestre, orçamento para treinamento interno e políticas de retenção, principalmente se sua empresa está em setores como finanças, construção, informação ou manufatura, ou em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a demanda por profissionais deve ser ainda mais forte.
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