Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O mercado de trabalho dos Estados Unidos surpreendeu em setembro. Segundo o Relatório Nacional de Emprego da ADP, divulgado nesta quarta-feira (30), o setor privado americano abriu 90 mil vagas no mês, número acima do esperado pelos analistas e bem superior ao registrado em agosto. Para quem administra uma empresa no Brasil, esse tipo de dado pode parecer distante, mas ele ajuda a entender para onde caminham juros, dólar e o apetite por investimentos internacionais, fatores que afetam custo de crédito, câmbio e planejamento de negócios por aqui.
O que diz o relatório
De acordo com a ADP, elaborada em parceria com o Stanford Digital Economy Lab, as 90 mil vagas abertas em setembro representam uma aceleração em relação a agosto, mês em que o número foi revisado para baixo, de 38 mil para 36 mil postos. Economistas consultados pela Reuters esperavam a criação de 70 mil vagas, o que mostra que o resultado veio acima das previsões do mercado.
Vale lembrar que o levantamento da ADP é divulgado antes do relatório oficial de emprego, produzido pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, que sai na sexta-feira (2). Por isso, o dado da ADP costuma ser visto como uma prévia, embora o próprio histórico mostre que ele nem sempre acerta o resultado final divulgado pelo governo.
Por que o dado oficial também importa
A pesquisa da Reuters com economistas projeta que o relatório do governo deve mostrar criação de 85 mil empregos privados em setembro, depois de um salto de 127 mil em agosto. Considerando todos os setores, incluindo o público, a expectativa é de abertura de 90 mil vagas fora da agricultura, ante 162 mil em agosto. Já a taxa de desemprego deve permanecer em 4,1% pelo terceiro mês seguido, embora existam riscos de leve alta nesse número.
Esse conjunto de números importa porque é um dos principais termômetros usados pelo Federal Reserve, o banco central americano, para decidir o rumo dos juros nos Estados Unidos. Um mercado de trabalho mais aquecido do que o esperado pode reduzir a pressão para cortes de juros por lá, o que tende a manter o dólar mais forte e influenciar o fluxo de capital para países emergentes, como o Brasil.
O que isso significa para o seu negócio
Se você importa insumos, tem dívidas em dólar ou depende de capital estrangeiro para expandir a empresa, vale ficar de olho nesse tipo de indicador. Um mercado de trabalho americano mais forte pode significar juros mais altos por lá por mais tempo, o que costuma pressionar o câmbio e encarecer o crédito em escala global, inclusive para empresas brasileiras que operam com moeda estrangeira.
Na prática, o recomendável é acompanhar também o relatório oficial que sai na sexta-feira, já que ele tem mais peso nas decisões de política monetária americana do que o dado da ADP isoladamente. Para o gestor brasileiro, o mais importante é usar essas informações como parte do seu planejamento financeiro, especialmente se o seu negócio tem exposição a custos ou receitas atrelados ao dólar.
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