Empreender na terceira idade pode triplicar a renda, aponta Sebrae

Se você tem um negócio próprio depois dos 60 anos, ou pensa em empreender nessa fase da vida, um dado do Sebrae merece atenção: formalizar a atividade pode triplicar a renda em relação a quem trabalha informalmente na mesma faixa etária. O levantamento mostra que o empreendedorismo sênior está em expansão no Brasil e que a regularização do negócio é um dos principais fatores para ganhar mais e crescer de forma sustentável.
Segundo o estudo, o país já tem mais de 4 milhões de empreendedores com 60 anos ou mais, número que vem aumentando de forma constante ao longo da última década. Esse grupo faz parte da chamada economia prateada, o mercado voltado a pessoas acima de 50 anos que movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil. Na prática, isso significa um público com poder de compra relevante e demanda crescente por produtos e serviços específicos, o que abre espaço para novos negócios voltados justamente a essa faixa etária.
O que os números mostram
O ponto central da pesquisa é a diferença de renda entre quem formaliza o negócio e quem continua na informalidade. No quarto trimestre de 2025, os empreendedores com 60 anos ou mais que estavam formalizados registraram o maior rendimento médio de toda a série histórica do levantamento, iniciada em 2012: R$ 7.458 por mês. Já os informais da mesma idade receberam, em média, R$ 2.152. Ou seja, a formalização representou mais que o triplo de renda.
| Situação do empreendedor | Rendimento médio mensal |
|---|---|
| Formalizado (60 anos ou mais) | R$ 7.458 |
| Informal (60 anos ou mais) | R$ 2.152 |
Esse resultado não é pontual. O Sebrae destaca que a formalização amplia os ganhos não só no curto prazo, mas ao longo de toda a trajetória do empreendedor. Isso acontece porque, ao regularizar a atividade, o profissional passa a ter acesso a crédito com melhores condições, pode emitir nota fiscal, vender para empresas e órgãos públicos e participar de programas de apoio ao pequeno negócio, oportunidades que simplesmente não existem para quem opera na informalidade.
Experiência como diferencial
Além do impacto financeiro da formalização, o levantamento aponta que a bagagem acumulada ao longo da carreira é um trunfo importante para quem empreende depois dos 60 anos. Conhecimento técnico, rede de contatos construída ao longo de décadas, mais capacidade de planejamento e menor propensão a assumir riscos excessivos são fatores que aumentam as chances de o negócio se manter sustentável no tempo. Em muitos casos, o empreendedorismo surge como forma de complementar a aposentadoria ou de transformar um hobby em fonte de renda.
O estudo também mostra que empreendedores sêniores formalizados vêm apresentando avanços no nível de escolaridade, o que contribui para uma gestão mais qualificada do negócio e, consequentemente, para melhores resultados financeiros. Somando esses elementos, o Sebrae reforça que o crescimento do empreendedorismo sênior deve continuar nos próximos anos, tanto pelo aumento da expectativa de vida quanto pela necessidade de renda extra após a aposentadoria.
Como se preparar
Se você está nessa faixa etária e ainda opera de maneira informal, o primeiro passo é avaliar o enquadramento mais adequado ao seu negócio. Dependendo do faturamento e da atividade exercida, é possível se formalizar como Microempreendedor Individual (MEI) ou optar por outro tipo de enquadramento empresarial. Cada modelo tem regras próprias de tributação, limites de faturamento e obrigações, por isso vale conversar com um contador antes de escolher o formato.
Formalizar o negócio vai além da questão tributária: também traz segurança jurídica e abre portas para linhas de crédito, consultorias, capacitações e programas de incentivo voltados a pequenos negócios. Para quem já está no mercado há anos e conta com experiência acumulada, dar esse passo pode ser justamente o que falta para transformar conhecimento em resultado financeiro mais consistente, com uma estrutura preparada para crescer com segurança.
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