Eli Lilly bate US$ 1 tri e já mira o próximo grande remédio
15/10/2026 17:103 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A farmacêutica americana Eli Lilly se tornou, em novembro de 2025, a primeira empresa do setor farmacêutico a ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, hoje algo próximo de US$ 1,1 trilhão. O motivo é conhecido: o sucesso estrondoso dos remédios Zepbound e Mounjaro, usados para perda de peso e controle de diabetes, que já respondem por 62% de toda a receita da companhia. Mas o comando da empresa já olha para o próximo capítulo, porque nenhum remédio de sucesso dura para sempre.
O que está acontecendo
Nos últimos 12 meses encerrados em junho, a receita da Eli Lilly saltou 50%, chegando a US$ 79,7 bilhões. Esse crescimento foi puxado quase inteiramente pela categoria de medicamentos GLP-1, hoje a mais vendida do mundo, superando até remédios oncológicos consagrados. Uma pesquisa recente mostrou que um em cada oito adultos já usa algum medicamento dessa classe, e a Lilly lidera essa fatia de mercado.
O problema é que todo remédio tem prazo de validade comercial, determinado pelas patentes. Em algum momento da próxima década, quando as patentes vencerem e genéricos entrarem no mercado, essa receita bilionária tende a cair de forma expressiva. Por isso, o CEO da empresa, Dave Ricks, resume o desafio como aquele que vai definir sua gestão: construir ou comprar rápido o suficiente um novo portfólio de remédios para sustentar o tamanho que a empresa alcançou.
Como a empresa está se preparando
A resposta da Lilly tem sido gastar, e gastar muito. Somente neste ano, a empresa fechou 31 negócios, entre compras de outras empresas e acordos de licenciamento, somando US$ 18 bilhões investidos, mais de quatro vezes o valor gasto em todo o ano anterior. Paralelamente, o investimento interno em pesquisa e desenvolvimento também cresceu, passando de US$ 11 bilhões em 2024 para US$ 13,3 bilhões neste ano.
Esse dinheiro está indo para áreas tradicionais, como câncer e doenças neurológicas, mas também para campos mais experimentais, como tratamentos ligados a psicodélicos e distúrbios do sono. Um exemplo concreto foi a compra da Kelonia Therapeutics, uma startup de biotecnologia que apresentou resultados promissores de um tratamento para um tipo de câncer no sangue. Em apenas quatro meses de negociação, a Lilly fechou a compra por US$ 3,25 bilhões à vista, podendo chegar a US$ 7 bilhões adicionais se o remédio atingir metas específicas.
Segundo o próprio Ricks, a vantagem da Lilly em relação a concorrentes está no tempo que ela pode esperar por retorno. Enquanto outras farmacêuticas precisam resolver problemas financeiros de curto prazo, a Lilly tem fôlego para investir em remédios ainda em fase inicial de testes, mais arriscados, mas com potencial de retorno maior no longo prazo. Essa lógica também vale para uma parceria de US$ 1 bilhão com a Nvidia voltada a inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento de novos medicamentos, cujo retorno nem é esperado antes da próxima década.
Por que isso importa para quem acompanha o mercado
Para empresários e gestores, o caso da Lilly funciona como um lembrete prático: mesmo negócios no auge do sucesso precisam reinvestir continuamente para não perder relevância quando o cenário mudar, seja por concorrência, mudança regulatória ou, no caso farmacêutico, vencimento de patentes. A empresa também aposta em remédios como o Foundayo, já aprovado, e a retatrutida, ainda em desenvolvimento e aguardada com grande expectativa pelo mercado, inclusive gerando venda clandestina de substâncias que alegam conter o composto.
O recado de Ricks é direto: se a empresa perceber que não vai conseguir sustentar esse ritmo de inovação, o caminho seria devolver dinheiro aos acionistas e aceitar ser uma companhia menor. Por ora, porém, a aposta é justamente o contrário: continuar investindo pesado para tentar repetir, em outras áreas da saúde, o mesmo tipo de sucesso que os remédios para perda de peso proporcionaram.
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