Eleições presidenciais: o que esperar da apuração e o que muda para empresas
04/10/2026 17:074 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
O primeiro turno das eleições presidenciais terminou neste domingo com a votação encerrada em todo o país, e agora começa a apuração que vai definir se o Brasil terá segundo turno. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao fim da campanha tecnicamente empatada, segundo pesquisas divulgadas no sábado. Para empresários e gestores, o resultado interessa diretamente: ele sinaliza o grau de instabilidade política que pode se estender pelas próximas semanas, algo que historicamente afeta decisões de investimento, câmbio e planejamento de caixa.
Pesquisas do Datafolha e da Quaest indicaram empate técnico entre os dois candidatos nos votos válidos, com pequena vantagem numérica de Lula (3 pontos em uma pesquisa e 1 ponto na outra). Já um levantamento do instituto MDA apontou Lula com 47,8% dos votos válidos contra 42,1% de Flávio. Para que a eleição termine neste domingo, é necessário que um dos candidatos ultrapasse 50% dos votos válidos, desconsiderando brancos e nulos. Caso isso não ocorra, o país terá uma nova rodada de votação em 25 de outubro.
Por que isso importa para o seu negócio
Períodos eleitorais acirrados costumam gerar oscilações no câmbio, na bolsa e nas expectativas de mercado, o que pode impactar custos de insumos importados, taxas de financiamento e decisões de investimento. Se a eleição for para o segundo turno, essa incerteza tende a se prolongar por mais algumas semanas, já que o mercado só terá uma definição mais clara do rumo econômico do país quando houver um vencedor confirmado. Vale lembrar que a diferença de postura dos dois candidatos em relação aos Estados Unidos, por exemplo, é vista por analistas como um fator que pode influenciar a política comercial e as relações internacionais do Brasil nos próximos anos.
Além da Presidência, os eleitores também escolheram neste domingo governadores de todos os estados e do Distrito Federal, 54 dos 81 senadores, os 513 deputados federais e os integrantes das Assembleias Legislativas. A composição do novo Congresso é especialmente relevante para quem acompanha pautas econômicas: boa parte da agenda tributária, de reformas e de indicações para órgãos reguladores, como o Banco Central, passa pela aprovação dos senadores eleitos agora.
A campanha também foi marcada por denúncias de corrupção, como os casos envolvendo o Banco Master e o escândalo do INSS, que atingiram nomes próximos a ambos os candidatos e a ministros do Supremo Tribunal Federal. Esse ambiente de desconfiança institucional é outro ponto que empresários costumam monitorar, já que afeta a percepção de risco-país e pode influenciar decisões de investidores estrangeiros no curto prazo.
Também chamou atenção na reta final da campanha o aumento de medidas de cunho econômico anunciadas pelo governo, como o reajuste de 15% no Bolsa Família, a medida provisória para proibir casas de apostas online e o anúncio de distribuição gratuita de medicamentos emagrecedores pelo SUS. Esse tipo de decisão, tomada às vésperas da eleição, tende a gerar efeitos sobre o consumo e sobre setores específicos, como varejo, saúde e apostas online, e merece atenção de quem atua nesses mercados.
O que observar nos próximos dias
Com a apuração em andamento, o primeiro ponto de atenção é saber se haverá ou não segundo turno. Essa definição deve ocorrer ainda neste domingo, à medida que os votos forem contabilizados. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que o processo eleitoral transcorreu com normalidade, sem necessidade de votação manual em nenhum ponto do país, e destacou que não há indícios de interferência estrangeira identificados pelo tribunal.
Se o resultado apontar para segundo turno, o recomendável é que empresários mantenham cautela redobrada em decisões financeiras sensíveis a câmbio e juros nas próximas semanas, já que o cenário político seguirá em aberto até 25 de outubro. Já se houver definição neste primeiro turno, a tendência é que o mercado reaja rapidamente à sinalização de continuidade ou mudança de rumo na condução econômica do país. De qualquer forma, vale acompanhar de perto os desdobramentos da apuração e as primeiras declarações do resultado, pois elas costumam antecipar o tom das próximas semanas no ambiente de negócios.
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