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Eleição e agro: o que Lula e Bolsonaro propõem para o seu negócio rural

06/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 5 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O agronegócio brasileiro deve gerar cerca de R$ 1,4 trilhão em valor bruto de produção e já exportou US$ 87 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. Com esse peso na economia, não é surpresa que o setor esteja no centro das propostas dos dois candidatos ao segundo turno da eleição presidencial. Se você trabalha com produção agropecuária, seja em pequena, média ou grande escala, entender as diferenças entre os planos de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ajuda a antecipar o que pode mudar no seu dia a dia nos próximos quatro anos.

As duas propostas partem de diagnósticos diferentes sobre onde estão os gargalos do campo. Bolsonaro aposta em reduzir a burocracia, garantir segurança jurídica e títulos de propriedade como caminho para destravar a grande produção. Já Lula direciona o apoio estatal para a agricultura familiar, amplia linhas de crédito subsidiado e aposta na transição para práticas mais sustentáveis. Entender essas diferenças é importante para você avaliar como cada cenário pode afetar crédito, licenciamento, infraestrutura e mercado consumidor do seu negócio.

A proposta de Bolsonaro: menos burocracia e mais propriedade

O plano do PL trata o agronegócio como motor de divisas e segurança alimentar, com foco em tirar amarras do Estado sobre o produtor. Uma das principais promessas é acelerar a regularização fundiária, entregando títulos definitivos a pequenos produtores para que a terra possa ser usada como garantia em operações de crédito. Isso é relevante porque, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e do Incra, entre 67 milhões e 69 milhões de hectares de terras públicas no país ainda não têm destinação oficial, uma área maior que a da França.

Outro ponto central é o destravamento de licenças ambientais e outorgas de água para irrigação. A proposta prevê que, se o órgão público não responder dentro do prazo legal, a licença seja concedida automaticamente. Isso porque, na prática, embora a lei determine prazos entre 6 meses e 1 ano, o processo completo costuma levar 3 anos ou mais, atrasando projetos de expansão e investimento. O programa também prioriza obras de infraestrutura como a Ferrogrão e hidrovias no Centro-Oeste, além de incentivos à construção de silos, já que o Brasil tem um déficit de armazenagem estimado entre 110 milhões e 130 milhões de toneladas diante de safras que já passam de 340 milhões de toneladas.

A proposta de Lula: crédito familiar e sustentabilidade

O programa do PT concentra esforços na agricultura familiar, unindo mais recursos a exigências ambientais. O Plano Safra para pequenos produtores teve expansão de 35,9% em quatro ciclos agrícolas, passando de R$ 71,6 bilhões na safra 2023/2024 para R$ 97,3 bilhões no ciclo 2026/2027. Dentro desse total, o Pronaf, que financia custeio e investimento de pequenos produtores, cresceu 21,7%, de R$ 70 bilhões para R$ 85,2 bilhões.

A proposta também amplia a garantia de mercado para quem vende para o setor público: a cota obrigatória de compra da agricultura familiar na merenda escolar subiu de 30% para 45%, movimentando cerca de R$ 3 bilhões por ano, além de R$ 1 bilhão destinado ao Programa de Aquisição de Alimentos. Na frente ambiental, o plano aposta na recuperação de pastagens degradadas e na integração lavoura-pecuária-floresta, com meta de incorporar até 40 milhões de hectares à produção sustentável até 2033, sem avançar sobre áreas nativas. Para isso, estimativas do Ministério da Agricultura e do BNDES apontam investimentos entre R$ 400 bilhões e R$ 600 bilhões ao longo de dez anos.

Flávio Bolsonaro (PL)

  • Regularização fundiária e títulos de propriedade para pequenos produtores
  • Licenciamento ambiental com prazo e aprovação automática em caso de atraso do órgão público
  • Investimento em infraestrutura de escoamento e armazenagem de grãos
  • Exploração de reservas nacionais de potássio e fosfato

Lula (PT)

  • Ampliação do crédito do Plano Safra e do Pronaf para agricultura familiar
  • Maior cota de compra pública (PNAE e PAA) para pequenos produtores
  • Recuperação de pastagens degradadas e integração lavoura-pecuária-floresta
  • Incentivo a bioinsumos e biocombustíveis como etanol, biodiesel e SAF

Também fazem parte do plano petista o fortalecimento dos bioinsumos, mercado que já movimenta R$ 5 bilhões por ano e cresce a taxas superiores a 20% ao ano, como alternativa à dependência de fertilizantes e defensivos importados. A proposta ainda prevê acelerar a identificação individual de bovinos e bubalinos para atender exigências de mercados como a União Europeia, além de reforçar o papel da Embrapa no desenvolvimento de tecnologia para safras tropicais e consolidar rotas de biocombustíveis como etanol de milho e cana, biodiesel e combustível sustentável de aviação.

O que isso significa para o seu negócio

Se você é um produtor de médio ou grande porte, a proposta de Bolsonaro pode representar menos espera por licenças e outorgas, além de maior previsibilidade jurídica sobre a posse da terra. Já se o seu negócio é familiar ou de pequena escala, as linhas de crédito e os programas de compra pública propostos por Lula podem ampliar o acesso a financiamento e garantir comprador certo para parte da produção. Em ambos os cenários, vale acompanhar de perto como as propostas evoluem após a eleição e como elas podem impactar decisões de investimento, contratação de crédito e planejamento de safra no seu negócio.

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