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El Niño na Argentina: como produtores protegem bilhões em grãos

01/11/2026 04:593 min de leituraAtualizado há 4 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Embora a notícia venha da Argentina, ela interessa diretamente a quem trabalha com agronegócio no Brasil, seja produzindo grãos, comercializando insumos, exportando ou simplesmente acompanhando os preços internacionais de soja e milho. O país vizinho é um dos maiores produtores e exportadores mundiais dessas culturas, e qualquer alteração relevante na safra argentina tende a repercutir nos preços e na dinâmica do mercado global, inclusive para quem atua no Brasil.

O fenômeno em questão é o El Niño, que neste ciclo chega com força e deve provocar chuvas acima do normal em uma região que inclui o sul do Brasil, o Uruguai e boa parte da Argentina. Na prática, isso significa solo mais úmido durante o período de plantio de milho e soja, o que pode atrapalhar o trabalho das máquinas e comprometer o estabelecimento inicial das lavouras, mesmo que, mais adiante, essa mesma umidade ajude no desenvolvimento das plantas.

O que os produtores estão fazendo

Diante desse cenário, o movimento predominante entre os produtores argentinos foi antecipar o calendário de plantio. A ideia é simples: terminar a semeadura antes que o período mais crítico de chuvas comece, reduzindo o risco de atrasos, retrabalho ou perda de área plantada. Segundo informações de bolsas de cereais do país, a semeadura da soja começou alguns dias mais cedo do que o habitual, e a área plantada já é maior do que em safras anteriores nesta mesma época do ano.

No caso do milho, a estratégia foi parecida: priorizar o plantio de "primeira época", feito mais cedo, em detrimento do plantio tardio, conhecido como safrinha por lá. A maior parte da área destinada ao cereal deve seguir esse caminho, justamente para escapar da janela de maior risco climático.

A safra argentina em números
US$ 15 bilhõesinvestidos por ciclovalor aplicado em sementes, fertilizantes e defensivos a cada safra.
37 milhões de hectaresárea previstasoma do plantio das seis principais culturas extensivas do país.
157,9 milhões de toneladascolheita estimadaprojeção total considerando soja, milho, trigo e outras culturas.

Outra frente de ação é o aumento do uso de sementes certificadas no lugar de sementes guardadas de safras anteriores, além de maior controle de plantas daninhas e ajustes no espaçamento entre linhas de plantio. Tudo isso faz parte de um esforço para extrair o máximo de produtividade possível nas áreas consideradas mais propícias, já que o cenário climático impõe limitações em outras regiões.

Nem toda região sofre do mesmo jeito

Um ponto importante é que o impacto do El Niño não é uniforme em todo o território argentino. Áreas como o sul de Misiones, Corrientes e Entre Ríos devem sofrer mais, com risco de alagamentos e cheias de rios, já que o solo ali já está mais saturado de água. Já regiões como Córdoba e San Luis enfrentam o problema oposto, com déficit hídrico, o que significa que ainda têm capacidade de absorver chuva extra sem prejuízo imediato.

Essa diferença regional tem consequências práticas que vão além da lavoura em si: enchentes dificultam o transporte de grãos, danificam estradas rurais, encarecem a logística e prejudicam até a criação de gado, pela perda de pastagens. São custos que se espalham por toda a cadeia produtiva, não apenas para quem planta.

O trigo, que já está em fase final de desenvolvimento, também é motivo de atenção. A expectativa é de uma safra grande, mas chuvas em excesso na hora da colheita podem atrapalhar a entrada de máquinas no campo e prejudicar a qualidade dos grãos colhidos.

Para quem acompanha o mercado agrícola a partir do Brasil, o recado prático é ficar de olho na evolução dessas safras argentinas nos próximos meses. Uma quebra de produção por lá, ou mesmo atrasos relevantes na colheita, tende a afetar os preços internacionais de soja, milho e trigo, com reflexo direto em quem compra ou vende esses produtos aqui. Já para produtores brasileiros que enfrentam o mesmo El Niño em suas próprias lavouras, as estratégias usadas pelos vizinhos, como antecipação de plantio e uso de sementes certificadas, podem servir de referência para reduzir riscos semelhantes.

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