Do lixo coletado a US$ 4 a hora a um grupo que mira US$ 1 bilhão
04/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Você já deve ter ouvido histórias de empreendedores que começaram do zero, mas a trajetória de Todd Weaver mostra algo além: o papel decisivo que uma oportunidade bem dada, e bem aproveitada, pode ter na construção de um negócio de grande porte. Aos 12 anos, ele bateu na porta de um trailer em um canteiro de obras no Missouri (EUA) pedindo trabalho. Saiu dali com um emprego de US$ 4 por hora capinando e recolhendo lixo, e com a condição de continuar estudando. Décadas depois, comanda uma holding que deve faturar quase US$ 1 bilhão em 2026.
Uma oportunidade que virou mentoria
Quem contratou Weaver foi Bob Clark, fundador da construtora Clayco e hoje bilionário. O que começou como um trabalho informal se transformou em algo maior: Clark passou a acompanhar de perto o desenvolvimento do garoto, apresentá-lo a profissionais do setor e até ajudá-lo a conseguir a carteira de trabalhador da construção aos 15 anos, quando passou a ganhar US$ 13 por hora. Para você que gerencia um negócio, esse é um ponto importante: investir em pessoas, mesmo em funções simples, pode gerar retornos que vão muito além do esperado, tanto para quem é mentorado quanto para quem mentora.
Weaver foi o primeiro de sua família, e também da família de Clark, a cursar faculdade. Formou-se em marketing e gestão da construção, trabalhou em empresas de engenharia e depois retornou à Clayco antes de decidir abrir o próprio negócio.
Do empréstimo pessoal ao grupo bilionário
Em 2002, aos 28 anos, Weaver fundou sua própria empresa com um empréstimo de US$ 150 mil feito pelo próprio Clark, quitado em apenas seis meses. A empresa, inicialmente batizada de Legacy, nasceu com um propósito claro: abrir espaço para empreendedores e trabalhadores de grupos minoritários no setor da construção, repetindo o tipo de oportunidade que ele mesmo havia recebido.
O negócio cresceu reformando escritórios, construindo centros de distribuição e erguendo projetos de grande porte, como um complexo de cassino flutuante avaliado em US$ 100 milhões. Mas nem tudo foi linear: durante a crise financeira de 2008, a empresa quase quebrou, acumulando uma dívida de US$ 2,5 milhões. Em vez de recorrer a Clark, Weaver mobilizou sua rede de contatos, conseguiu empréstimos de investidores e reestruturou o negócio sozinho, pagando tudo em 12 meses.
Crescimento puxado por data centers
Hoje a holding DGN Enterprise, de Weaver, reúne cinco empresas, entre elas a TW Constructors e companhias especializadas em serviços elétricos, vidros e sistemas de combate a incêndio. O grande motor de crescimento recente foi um segmento específico: manutenção e modernização de data centers, com clientes como Google, Microsoft, Apple e Eli Lilly. Esse tipo de contrato ajudou o grupo a dobrar o faturamento em um ano e mirar a marca de US$ 1 bilhão em receita.
Para você que lidera uma empresa, esse detalhe reforça uma lição de negócios: identificar um nicho de alta demanda, no caso, a infraestrutura digital que sustenta grandes empresas de tecnologia, pode ser o que separa um crescimento linear de um salto real de escala.
A relação entre Weaver e Clark segue ativa até hoje, inclusive em projetos conjuntos, como a construção de um centro de tratamento oncológico de grande porte em 2024. Clark afirma que Weaver é tratado como um membro pleno de sua família e que herdará parte de seu patrimônio ao lado dos filhos biológicos, embora o próprio Clark diga não acreditar em riqueza geracional e planeje, no futuro, transferir parte de sua participação na Clayco aos funcionários.
A história de Weaver é um lembrete prático para qualquer gestor: oportunidades bem direcionadas, somadas a disciplina e rede de relacionamento, podem transformar um pequeno negócio em uma operação de grande porte. Se você está construindo uma empresa ou pensando em expandir, vale observar onde estão as demandas emergentes do mercado, como a infraestrutura tecnológica no caso dele, e como relações de confiança podem sustentar decisões financeiras importantes, inclusive em momentos de crise.
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