Dívida pública em alta: o que o próximo presidente pode mudar na economia
23/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
O Brasil elege neste domingo seu novo presidente em um momento econômico delicado. A dívida pública está subindo, os juros seguem altos, o crescimento da economia perdeu força e milhões de famílias e empresas estão endividadas. Para você, empresário, esse pano de fundo importa porque influencia diretamente o custo do crédito, o ritmo de consumo dos clientes e as condições para investir no seu negócio nos próximos anos.
Segundo o Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, o equivalente a R$ 11,1 trilhões. Não é o maior patamar da história (durante a pandemia chegou a 87,7% do PIB), mas é o mais alto desde 2021, e o que preocupa especialistas é a velocidade do crescimento: em julho a relação estava em 82,5% e, no fim de 2025, em 78,6%.
Por que a dívida pública afeta o seu negócio
Quando a dívida do governo cresce mais rápido que a economia, os investidores passam a exigir juros mais altos para financiar o país. Isso encarece o crédito para todo mundo, inclusive para empresas que precisam de capital de giro ou financiamento para expandir. Segundo o professor Mauro Rochlin, da FGV, o gasto do governo com juros já consome quase um terço de toda a despesa pública, o que deixa menos espaço no orçamento para investimentos e estímulos à economia.
A situação das famílias e empresas reforça esse quadro difícil. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC, 81,7% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida. Já o número de empresas inadimplentes bateu recorde em agosto de 2026, chegando a 9,3 milhões de CNPJs no vermelho. Esse cenário tende a reduzir o consumo e dificultar pagamentos entre empresas, afetando o faturamento de quem vende produtos e serviços.
O que os especialistas esperam do próximo governo
Para a economista Zeina Latif, da Gibraltar Consulting Economia, o ajuste fiscal precisa ser prioridade, porque é a base para reduzir juros e trazer previsibilidade. Segundo ela, a falta de clareza nas contas públicas trava decisões de investimento do setor privado, ou seja, empresas evitam expandir ou contratar enquanto o cenário econômico permanece incerto. Ela também destaca que o descontrole fiscal compromete a capacidade do governo de investir em áreas básicas como saúde, segurança e educação.
O economista Rodolfo Olivo, da FIA Business School, é ainda mais direto sobre os riscos: se nada for feito, a dívida pública pode se aproximar de 100% do PIB nos próximos anos. Ele explica que hoje a política fiscal do governo (gastos, benefícios e transferências) e a política monetária do Banco Central (juros altos para conter a inflação) estão andando em direções opostas, o que dificulta o controle da inflação e mantém os juros elevados por mais tempo.
Já Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, pondera que o Brasil ainda não está em risco de solvência, já que conta com reservas internacionais elevadas, balanço de pagamentos equilibrado e dívida externa pequena. Mesmo assim, ele reconhece que os gastos públicos crescem acima do PIB e que será necessário um plano de estabilização fiscal, com efeitos distribuídos ao longo dos quatro anos de mandato. Na visão dele, não existe solução mágica: será preciso conter o crescimento das despesas e recuperar um resultado positivo nas contas públicas para estabilizar a dívida.
O que isso significa na prática para sua empresa
Os especialistas concordam que o próximo governo terá pouca margem para manobras: segundo Zeina Latif, cerca de 95% do orçamento da União já está comprometido com despesas obrigatórias previstas na Constituição, sobrando menos de 10% para investimentos ou cortes. Isso significa que qualquer ajuste fiscal real provavelmente vai envolver uma combinação de aumento de tributos e corte de gastos, já que a carga tributária brasileira já é considerada alta em comparação com outros países emergentes.
Para o seu negócio, o recado prático é de cautela e planejamento. Com juros ainda altos, crédito mais caro e um crescimento econômico que vem desacelerando (o PIB cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre de 2026, e as projeções para os próximos anos seguem sendo revisadas para baixo), é importante revisar fluxo de caixa, evitar endividamento desnecessário e acompanhar de perto os sinais que o novo governo vai dar sobre o ajuste fiscal. Esses sinais vão influenciar diretamente o custo do dinheiro e o ritmo de consumo no mercado nos próximos anos.
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