Déficit nas contas públicas: o que muda para juros, câmbio e sua empresa
30/07/2026 16:433 min de leituraAtualizado há 34 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Lucro Real, atualizado a cada mudança de norma.
As contas do governo central voltaram a ficar no vermelho em junho, com déficit primário de R$ 48,178 bilhões. Somado aos meses anteriores, o resultado acumulado do primeiro semestre chegou a R$ 92,227 bilhões negativos, o pior número para esse período desde 2020, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Para você que administra um negócio, esse tipo de informação pode parecer distante do seu dia a dia, mas ela tem relação direta com juros, inflação e o custo do crédito que sua empresa usa para operar e investir.
O que aconteceu nas contas públicas
O déficit de junho já era esperado pelo mercado, mas veio pior do que o registrado no mesmo mês de 2025. As receitas do governo cresceram 10,3% em termos reais na comparação anual, somando R$ 195,173 bilhões, impulsionadas principalmente por aumentos na arrecadação com exploração de recursos naturais, Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. O problema é que as despesas cresceram ainda mais rápido: 9,0% em termos reais, totalizando R$ 243,351 bilhões, com destaque para o aumento em benefícios previdenciários e em gastos com abono e seguro-desemprego.
Ou seja, mesmo arrecadando mais, o governo gastou proporcionalmente mais ainda, o que resultou em um saldo negativo maior do que no mesmo período do ano passado. Esse descompasso entre receita e despesa é o que os economistas chamam de deterioração fiscal, e é justamente esse tipo de sinal que o mercado financeiro observa de perto para decidir os rumos de juros e câmbio.
Por que o resultado do semestre preocupa
O rombo de R$ 92,227 bilhões no primeiro semestre é bem maior do que o déficit de R$ 11,277 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Na prática, isso representa o segundo pior resultado da série histórica iniciada em 1997, atrás apenas do primeiro semestre de 2020, quando o país enfrentava os gastos extraordinários provocados pela pandemia de Covid-19. A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do desafio fiscal que o governo tem pela frente neste ano.
Olhando para o acumulado em 12 meses, o déficit chega a R$ 144,1 bilhões, o equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse número está distante da meta fiscal estabelecida para este ano, que prevê um superávit primário de 0,25% do PIB, ainda que exista uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual e algumas despesas que ficam de fora da conta oficial. Mesmo com essa margem, fica claro que o governo terá de fazer um esforço adicional nos próximos meses para tentar se aproximar da meta.
O que isso significa para a sua empresa
Quando o governo gasta mais do que arrecada de forma consistente, isso aumenta a percepção de risco fiscal no mercado. Na prática, esse tipo de cenário tende a pressionar a taxa de juros para cima, encarecer o crédito e deixar o câmbio mais volátil, fatores que afetam diretamente o custo de capital de giro, financiamentos e até o preço de insumos importados. Se você depende de crédito bancário para financiar estoque, equipamentos ou expansão, vale ficar atento a esse movimento, já que juros mais altos tendem a impactar diretamente o custo das suas operações financeiras.
Além disso, um cenário fiscal mais apertado costuma levar o governo a rever prioridades de gastos e, eventualmente, discutir novas medidas de arrecadação. Isso significa que mudanças tributárias ou ajustes em benefícios fiscais podem entrar na pauta com mais força nos próximos meses, algo que merece acompanhamento próximo por parte de quem lida com planejamento tributário e financeiro na empresa.
Diante desse contexto, o recomendável é reforçar o controle de fluxo de caixa, revisar contratos que tenham exposição a variação cambial ou taxas de juros flutuantes e manter um colchão de liquidez mais confortável. Também é um bom momento para conversar com seu contador sobre cenários de curto e médio prazo, já que decisões de política fiscal costumam se refletir, mais cedo ou mais tarde, no ambiente de negócios como um todo.
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