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Cyrela reduz participação na Plano&Plano: entenda o novo acordo

10/08/2026 14:353 min de leituraAtualizado há 23 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Cyrela deu um passo relevante para se afastar da gestão da Plano&Plano. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (10), a construtora informou um novo acordo de acionistas que reduz seu compromisso mínimo de participação na empresa e retira seu direito de indicar representantes para o Conselho de Administração. Para quem acompanha o mercado imobiliário, o movimento é mais um sinal de que a Cyrela pode estar se preparando para vender suas fatias em companhias nas quais entrou via parcerias societárias.

Na prática, o novo acordo transfere o controle da indicação dos conselheiros não independentes para os dois sócios fundadores da Plano&Plano, Rodrigo Uchoa Luna e Rodrigo Fairbanks von Uhlendorff. A Cyrela se compromete a votar nos nomes indicados por eles, abrindo mão de qualquer participação ativa nessa escolha. O documento tem validade de quatro anos, até agosto de 2030, e substitui integralmente o acordo firmado em 2020, ano em que a Plano&Plano estreou na bolsa.

O que muda no acordo

O ponto mais concreto da mudança está na exigência de participação mínima. Antes, a Cyrela precisava manter pelo menos 15% do capital da Plano&Plano. Agora, esse piso cai para 7%, o mesmo percentual exigido dos fundadores. Essa redução dá à Cyrela muito mais liberdade para vender ações sem romper o acordo, algo que antes exigiria uma renegociação mais complexa.

Outro detalhe importante é o mecanismo de lock-up: as ações vinculadas ao acordo só podem ser negociadas livremente depois de dois anos da assinatura e desde que o papel da Plano&Plano atinja R$ 20 na B3, valor corrigido anualmente pelo IPCA. Além disso, tanto a Cyrela quanto o bloco dos fundadores só podem vender a mesma quantidade de ações de cada vez, numa espécie de venda equilibrada entre as partes.

Quem é afetado e por quê

Hoje a Cyrela detém 33,4% do capital da Plano&Plano, uma posição que vem de uma joint venture formada em 2006. Luna tem 22,8% das ações, e Uhlendorff, 15,5%. O recuo da Cyrela na governança da empresa acontece justamente em meio a especulações de que ela pode zerar completamente sua participação não só na Plano&Plano, mas também na Cury e na Lavvi, outras duas incorporadoras em que entrou via parcerias semelhantes.

O valor em jogo é relevante. No ano passado, as três empresas juntas responderam por R$ 395 milhões do lucro líquido da Cyrela, cerca de 20% do resultado total da companhia. A Plano&Plano sozinha contribuiu com R$ 123 milhões. Segundo analistas do JPMorgan, se a Cyrela decidir sair completamente dessas três posições, o movimento liberaria caixa suficiente para distribuir R$ 1,88 bilhão em dividendos aos acionistas.

Ainda de acordo com o banco, o cenário mais vantajoso para a Cyrela seria vender toda a sua fatia de aproximadamente 15,1% na Cury, operação que poderia gerar um retorno de cerca de 14%. Vale lembrar que a Cyrela já vem reduzindo posição: no terceiro trimestre de 2025, vendeu 4,6 milhões de ações da Cury, baixando sua participação de 18,53% para 16,95% e embolsando R$ 210 milhões com a operação.

Impacto no mercado

A reação imediata do mercado ao novo acordo foi negativa para a Plano&Plano: as ações caíram 4% no pregão desta segunda-feira, às 14h. No acumulado dos últimos 12 meses, o papel já acumula queda de 49%, reflexo tanto da incerteza sobre o futuro da relação com a Cyrela quanto do momento mais desafiador do setor.

Para empresários e gestores que acompanham o setor de construção civil, o episódio serve como termômetro de como grandes incorporadoras estão reorganizando suas participações societárias em busca de mais liquidez e foco no negócio principal. Se a Cyrela avançar na venda de suas fatias na Plano&Plano, Cury e Lavvi, o mercado deve monitorar de perto os efeitos sobre a governança dessas empresas e sobre a distribuição de caixa gerada pela operação, um movimento que pode redesenhar o mapa societário do setor imobiliário nos próximos anos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.