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Custo de vida e eleição: o que isso significa para o seu negócio

26/09/2026 12:504 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O clima político em torno da eleição presidencial trouxe à tona um tema que afeta diretamente o dia a dia de quem vende produtos ou serviços no Brasil: o poder de compra das famílias. Enquanto indicadores econômicos como desemprego baixo e inflação em desaceleração são apontados como avanços, comerciantes relatam queda no movimento e clientes cada vez mais endividados. Para você, empresário, entender esse descompasso entre os números "oficiais" e a realidade do consumidor é essencial para ajustar expectativas de vendas e fluxo de caixa nos próximos meses.

O que está pressionando o consumo

Mesmo com a inflação de alimentos desacelerando nos últimos meses, e alguns preços até recuando entre junho e agosto, o problema é que os preços continuam muito acima dos níveis de antes da pandemia. Ou seja: mesmo com uma trégua recente, o consumidor já acumulou anos de perda de poder de compra, e isso não se reverte rapidamente. Se seu negócio depende de consumo de alimentos ou produtos de primeira necessidade, essa é uma explicação direta para a retração que muitos comerciantes vêm sentindo.

Outro fator que aperta o bolso do seu cliente é o endividamento. O comprometimento da renda das famílias com pagamento de dívidas (sem contar financiamento imobiliário) chegou a 26,6% em junho, um recorde histórico segundo o Banco Central. Fintechs oferecendo crédito fácil, porém com juros elevados, e o crescimento das apostas online (as chamadas "bets") têm absorvido uma parcela relevante da renda disponível das famílias, deixando menos dinheiro para consumo em outros setores.

Números que explicam o aperto no bolso do consumidor
26,6%renda comprometida com dívidasRecorde em junho, sem contar financiamento imobiliário, segundo o Banco Central.
13,75%taxa básica de juros (Selic)Uma das mais altas do mundo em termos reais, ainda em queda gradual.
49% vs 19%percepção sobre a economiaQuase metade dos brasileiros diz que a economia piorou no último ano; só 19% dizem que melhorou (Quaest).

A taxa de juros também tem papel central nessa equação. Em 13,75%, ela está entre as mais altas do mundo em termos reais, embora o Banco Central já tenha iniciado uma redução gradual, mantendo vigilância sobre a inflação. Juros altos significam crédito mais caro tanto para o consumidor final quanto para o seu negócio, o que reduz o consumo e encarece capital de giro ou investimentos que você eventualmente precise fazer.

Por que isso importa para o seu planejamento

Economistas ouvidos no debate eleitoral resumem bem a situação: os indicadores de mercado de trabalho e redução da pobreza mostram avanço, mas quando se soma a inflação acumulada de alimentos, o efeito dos juros altos e o impacto das apostas online sobre a renda das famílias, o resultado é um empate, ou seja, ganhos e perdas praticamente se anulam no bolso do consumidor comum. Na prática, isso significa que você não deve esperar uma retomada forte e imediata do consumo apenas porque a inflação desacelerou no papel.

Relatos de comerciantes, como donos de açougue e banca de hortifruti em mercados de São Paulo, confirmam esse cenário: mesmo reconhecendo melhorias em períodos passados, muitos sentem que o cliente de renda mais baixa simplesmente não consegue crescer financeiramente, e o negócio segue no aperto, com dívidas sendo contraídas para cobrir despesas do mês seguinte. Se seu público-alvo é formado por famílias de renda mais baixa ou média, vale reforçar o monitoramento do ticket médio e da frequência de compra nos próximos meses.

Medidas em curso e o que observar

Recentemente, foram anunciadas medidas para tentar aumentar a renda disponível das famílias, como um reajuste de 15% no Bolsa Família (com vigência prevista antes do segundo turno eleitoral) e uma proposta de legislação para restringir cassinos online, além de um programa para ajudar na renegociação de dívidas dos brasileiros. Ainda que essas medidas possam gerar algum alívio pontual no consumo, pesquisas indicam que, até o momento, elas não mudaram significativamente a percepção do eleitor/consumidor sobre a economia.

Para o seu negócio, o recado prático é: não conte apenas com uma retomada de consumo baseada em notícias macroeconômicas positivas. Fique atento a possíveis efeitos de curto prazo de programas sociais e de crédito (como o reajuste do Bolsa Família e iniciativas de renegociação de dívidas), que podem representar uma injeção pontual de renda em determinados públicos, mas continue baseando seu planejamento financeiro em dados reais de vendas e comportamento do seu cliente, e não apenas em expectativas de melhora da economia.

Diante desse cenário, o ideal é manter uma gestão financeira conservadora, com atenção redobrada ao fluxo de caixa, ao nível de inadimplência dos clientes (se você vende a prazo) e à evolução do ticket médio. Se possível, avalie estratégias de precificação e de portfólio que considerem um consumidor mais cauteloso e endividado, e converse com seu contador sobre como ajustar projeções de faturamento para os próximos meses, especialmente diante da incerteza que ainda envolve o cenário político e econômico do país.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.