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Cury lucra R$ 270 milhões no 2º trimestre e fica abaixo do esperado

11/08/2026 18:593 min de leituraAtualizado há 22 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A construtora Cury (CURY3) divulgou nesta terça-feira (11) o balanço do segundo trimestre de 2026, mostrando lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 270 milhões, um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número, porém, ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava R$ 295 milhões segundo o consenso Bloomberg. Para quem acompanha o setor imobiliário ou negocia com incorporadoras, o resultado mostra uma empresa que continua crescendo, mas em ritmo levemente inferior ao esperado pelos analistas.

A receita líquida do período somou R$ 1,7 bilhão, o maior valor já registrado pela companhia em um trimestre, com alta de 25,5% sobre o ano anterior. Esse crescimento de receita, no entanto, não se traduziu integralmente em mais lucratividade: a margem líquida caiu 1,4 ponto percentual, para 18,4%, e a margem EBITDA recuou 1,1 ponto percentual, para 22,9%. Ou seja, a Cury está vendendo e faturando mais, mas ganhando um pouco menos em cada real de receita.

O que os números mostram

O EBITDA do trimestre chegou a R$ 387 milhões, avanço de 19,8% na comparação anual, embora tenha caído 6% frente ao trimestre imediatamente anterior. Já o EBITDA ajustado, que soma os custos com encargos de financiamento, foi de R$ 392,3 milhões, com margem ajustada de 23,2%. Esses indicadores ficaram muito próximos das projeções de mercado, que esperavam R$ 1,69 bilhão de receita e R$ 395 milhões de EBITDA, sinal de que a operação segue previsível, mesmo com a queda de rentabilidade.

Um dos destaques positivos foi o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), que atingiu 73,6% no trimestre, alta de 3,5 pontos percentuais sobre o ano anterior. Esse indicador mostra o quanto a empresa consegue gerar de lucro a partir do capital investido pelos sócios, e um ROE nesse nível é considerado bastante elevado para o setor de construção civil.

Indicador2T26Variação anual
Lucro líquidoR$ 270 milhões+14%
Receita líquidaR$ 1,7 bilhão+25,5%
EBITDAR$ 387 milhões+19,8%
Margem líquida18,4%-1,4 p.p.
ROE73,6%+3,5 p.p.

Caixa robusto e mais dividendos

No campo financeiro, a Cury gerou R$ 144,9 milhões de caixa no trimestre, alta de 40% em relação ao ano anterior. A empresa encerrou o período com caixa líquido de R$ 290,6 milhões, número um pouco menor que os R$ 316 milhões registrados em 31 de dezembro de 2025, mas ainda em posição confortável. Diante desse cenário, a companhia anunciou a distribuição adicional de R$ 190 milhões em dividendos ainda em agosto, reforçando o compromisso de remunerar os acionistas mesmo em um trimestre de resultado abaixo do esperado.

Vendas e lançamentos em desaceleração

Do lado operacional, o cenário exige mais atenção. O Valor Geral de Vendas (VGV) lançado entre abril e junho foi de R$ 2,257 bilhões, com leve alta de 1,4% sobre o mesmo trimestre do ano passado, mas queda de 14,7% em relação ao trimestre anterior. Foram 11 lançamentos, somando 6.549 unidades. Já as vendas líquidas somaram R$ 2,046 bilhões em VGV, com recuo de 9,5% na comparação anual e de 11,2% frente ao trimestre anterior.

A Velocidade de Vendas Sobre a Oferta (VSO líquida), que mede a rapidez com que os imóveis lançados são vendidos, ficou em 40,5%, um recuo de 7 pontos percentuais em relação a 2025. Apesar disso, o banco de terrenos da empresa, que representa o potencial de lançamentos futuros, fechou o trimestre em R$ 26,1 bilhões em VGV potencial, um patrimônio relevante para sustentar o crescimento nos próximos anos.

Para empresários e gestores que acompanham o mercado imobiliário ou têm relação comercial com incorporadoras, o balanço da Cury traz um recado importante: mesmo empresas sólidas e rentáveis podem apresentar sinais de desaceleração nas vendas e nos lançamentos, ainda que o caixa e a distribuição de dividendos permaneçam fortes. Fique atento a esse tipo de descompasso entre crescimento de receita e velocidade de vendas, pois ele pode indicar mudanças no ritmo de demanda do setor, algo que impacta diretamente fornecedores, parceiros e o planejamento de negócios ligados à construção civil.

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