Cultura da empresa pesa na decisão de ficar, sair ou recusar uma vaga
16/10/2026 16:303 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Se você é empresário ou gestor, talvez já tenha percebido que falar bonito sobre valores não é suficiente para reter talentos. Uma pesquisa do Instituto QualiBest, feita a pedido do iFood, confirma isso com números: 73% dos profissionais entrevistados já tomaram alguma decisão de carreira, como recusar uma proposta, continuar no emprego ou pedir demissão, motivados pela cultura da empresa onde trabalham ou pretendiam trabalhar.
O estudo, batizado de Cultura na Prática, ouviu 1.406 profissionais de empresas com 100 ou mais funcionários, contratados em regime CLT, como pessoa jurídica ou outro contrato formal. Entre os participantes, 40% eram analistas e especialistas, 25% gerentes, 18% coordenadores e supervisores e 17% ocupavam cargos de diretoria ou posições executivas de alto nível.
O que os dados mostram
Além das decisões já tomadas, 79% dos profissionais disseram que conhecer a cultura da empresa, e como ela realmente funciona no dia a dia, influencia ou influenciaria suas escolhas profissionais. Isso significa que, para a maioria dos trabalhadores, a cultura organizacional deixou de ser um detalhe institucional e passou a ser um critério prático na hora de avaliar onde trabalhar.
O ponto mais importante para quem administra uma empresa é que a pesquisa não fala apenas de discurso, mas de coerência entre o que é dito e o que é praticado. Quanto mais a empresa cumpre na prática os valores que divulga, maior é o peso dessa cultura nas decisões dos profissionais.
O mesmo padrão aparece quando se olha para decisões já concretizadas, e não apenas intenções. Entre quem avalia que a empresa sempre pratica os valores que divulga, 84% já tomaram alguma decisão de carreira por causa disso. Esse índice cai para 73% entre quem percebe a prática na maioria das vezes e para 60% entre quem considera que ela acontece de forma parcial, rara ou inexistente.
Por que isso importa para o seu negócio
Para Raphael Bozza, sócio e vice-presidente de Pessoas do iFood, a cultura organizacional está diretamente ligada à forma como os profissionais avaliam uma empresa e decidem se querem trabalhar nela. Segundo o executivo, o que pesa na decisão é a prática observada no dia a dia, não apenas os valores que aparecem em apresentações institucionais ou no site da empresa.
Essa conclusão tem efeito direto sobre retenção de talentos e clima interno. A pesquisa mostra ainda que 88% dos profissionais acreditam que uma cultura organizacional forte e efetivamente praticada melhora suas próprias condições de trabalho. Ou seja, para quem gerencia equipes, investir em coerência entre discurso e prática deixou de ser apenas uma questão de imagem institucional e passa a influenciar diretamente permanência, produtividade e atração de profissionais qualificados.
Na prática, isso significa que pequenas e médias empresas também precisam prestar atenção ao alinhamento entre o que comunicam como valores e o que de fato acontece no dia a dia, independentemente do porte do negócio. Revisar políticas internas, ouvir os colaboradores sobre como percebem essa coerência e corrigir distorções pode ser um diferencial competitivo na hora de reter quem já está na equipe e atrair novos talentos.
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