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Crise do banco Ueno no Paraguai: o que aconteceu e quem é afetado

05/11/2026 17:234 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um banco digital que cresceu rápido no Paraguai, acumulou mais de 3 milhões de clientes e até deu nome a estádios de futebol virou o centro de uma crise financeira que chamou atenção na região. O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou, em 3 de novembro, o início de um processo de intervenção no Ueno, instituição que havia se transformado em banco há apenas dois anos. O motivo: a solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido pelo regulador, após ajustes em suas demonstrações financeiras feitos durante um processo de regularização.

Embora o caso seja paraguaio, ele serve de alerta para empresários e gestores brasileiros que acompanham ou fazem negócios com instituições financeiras digitais em expansão acelerada na América Latina. Entender a lógica por trás da crise ajuda a avaliar riscos em relações comerciais, parcerias e até decisões de onde alocar recursos.

Como o Ueno chegou a esse tamanho

O grupo por trás do banco tem raízes antigas: a Credicentro, fundada em 1984, deu origem ao conglomerado que depois adquiriu a Financiera El Comercio, em 2021, e se tornou o Ueno Holding em 2022. A conversão para banco só aconteceu em novembro de 2023, com operações bancárias começando em dezembro daquele ano. Ou seja, trata-se de uma instituição bancária bastante nova, mas que cresceu em ritmo acelerado.

O salto decisivo veio em junho de 2024, quando o Ueno incorporou o Visión Banco, absorvendo seus ativos, passivos e operações. Essa fusão foi o principal motor que colocou o Ueno entre os grandes nomes do mercado financeiro paraguaio em pouco tempo. Mas crescer por aquisição também significa herdar compromissos e desafios financeiros, algo que as agências de classificação de risco já vinham observando de perto.

A estrutura societária do banco é complexa: o controle passa por empresas sediadas no Paraguai e em Luxemburgo, com o Grupo Vázquez como principal acionista e o banco húngaro OTP com participação minoritária. Houve ainda aportes internacionais relevantes, incluindo um investimento de US$ 30 milhões em dezembro de 2025 e uma emissão de títulos de US$ 350 milhões no mercado internacional.

Os sinais de alerta antes da crise

Em outubro, a agência Fitch já havia mudado a perspectiva do Ueno de estável para negativa, mantendo a nota em BB, citando o crescimento acelerado do balanço e o peso de ativos intangíveis nas contas do banco. Dias depois, em 29 de outubro, a instituição anunciou um plano de capitalização de US$ 100 milhões, mas a execução dependia de autorizações e estava prevista para acontecer apenas nos 60 dias seguintes. Ou seja, o dinheiro anunciado ainda não havia entrado de fato no caixa do banco quando a intervenção foi decretada.

O caso Ueno em números
3 milhões+clientes informados em setembronúmero divulgado pelo próprio banco antes da intervenção.
US$ 100 milhõesplano de capitalização anunciadodependia de autorizações e tinha prazo de execução de 60 dias.
US$ 350 milhõesemissão internacional de títulosprazo de cinco anos e cupom de 6,70%.

O que acontece com os depositantes agora

O BCP afirmou que o processo busca organizar a situação de forma controlada, com interventores responsáveis por verificar o patrimônio do banco e preservar seus ativos. Para quem tem dinheiro depositado, o regulador informou que a garantia cobre valores até um limite estabelecido por depositante e por instituição. Para saldos acima desse teto, o BCP disse que vai buscar mecanismos legais para oferecer a maior proteção possível, mas não garantiu a devolução integral dos valores.

O órgão regulador também fez questão de classificar o episódio como um caso isolado, e não como um sinal de problema generalizado no sistema financeiro paraguaio. Ainda assim, a repercussão ganhou dimensão política, já que o atual presidente do BCP já havia presidido o próprio Ueno, e o presidente do Paraguai teve ligação societária com o grupo controlador até 2025, pontos que tanto o banco quanto o regulador negaram representar conflito de interesse nas decisões.

Para empresários brasileiros, o episódio reforça um aprendizado válido em qualquer país: crescimento acelerado por meio de aquisições e expansão digital pode mascarar fragilidades estruturais que só aparecem quando o regulador aperta a fiscalização. Antes de firmar parcerias comerciais ou financeiras com instituições em rápida expansão, vale sempre avaliar não apenas os números de clientes e transações divulgados, mas também os indicadores de solidez financeira e a transparência na governança.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.