Crise de energia nos EUA afeta data centers: veja quem corre risco
05/10/2026 16:553 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um relatório do banco Morgan Stanley chamou atenção para um problema que pode esfriar parte do investimento bilionário em inteligência artificial nos Estados Unidos: a falta de energia elétrica suficiente para abastecer os data centers que sustentam essa tecnologia. Segundo o banco, empresas como Nvidia e Broadcom estão relativamente blindadas contra esse risco, mas outros elos da cadeia de produção podem sentir o impacto caso os projetos de infraestrutura atrasem.
Na prática, o crescimento acelerado da inteligência artificial generativa exige cada vez mais capacidade computacional, e isso significa mais consumo de eletricidade. O problema é que a rede elétrica americana não está crescendo no mesmo ritmo. O Morgan Stanley estima que, até 2028, os data centers nos EUA terão um déficit de energia de 34%, o equivalente a 32 gigawatts faltando para atender a demanda.
O que muda
Para quem acompanha o setor de tecnologia ou depende dele, a mensagem é clara: a expansão dos data centers de IA pode não acontecer no ritmo esperado por falta de energia disponível. Isso não significa que os grandes fabricantes de chips vão parar de vender ou perder contratos, mas sim que o cronograma de instalação de novos equipamentos pode sofrer atrasos.
O Morgan Stanley foi direto ao dizer que não vê esse gargalo energético ameaçando as projeções de resultados da Nvidia ou da Broadcom até 2027. A explicação está na capacidade dessas empresas de planejar com antecedência: elas têm visibilidade sobre como os chips serão distribuídos, sabem onde a expansão vai acontecer geograficamente e mantêm uma coordenação próxima com data centers, fornecedores e empresas de energia. Isso dá a elas uma margem de segurança que outras companhias da cadeia não têm.
Quem é afetado
O risco maior recai sobre empresas que fabricam peças complementares aos processadores principais. Se a energia não estiver disponível para colocar novos data centers em operação, os clientes podem optar por adiar entregas de equipamentos ou até cancelar pedidos já feitos. Segundo o relatório, os mais expostos a esse tipo de problema são os fabricantes de chips de memória, componentes ópticos, sistemas de gerenciamento de energia e processadores analógicos.
Mais protegidos
- Nvidia
- Broadcom
- Empresas com visibilidade sobre alocação de chips e coordenação com a cadeia de energia
Mais expostos
- Fabricantes de chips de memória
- Fornecedores de componentes ópticos
- Produtores de sistemas de gerenciamento de energia
- Fabricantes de processadores analógicos
Outros bancos também estão de olho nessa questão. O Goldman Sachs, por exemplo, enxerga um impacto mais limitado no curto prazo, já que há resistência política para frear a expansão dos data centers, dado o peso econômico que esses projetos representam. Já o Morgan Stanley é mais cauteloso e aponta desafios que vão além da energia, incluindo escassez de mão de obra qualificada e entraves políticos para viabilizar novos empreendimentos.
Para empresários brasileiros que fornecem serviços, equipamentos ou software ligados à cadeia global de inteligência artificial, esse cenário merece atenção. Atrasos na expansão de data centers nos Estados Unidos podem afetar prazos de contratos, demanda por componentes específicos e até o ritmo de investimentos de clientes que dependem dessa infraestrutura para operar. Fique atento a esses sinais caso seu negócio tenha algum tipo de exposição, direta ou indireta, à cadeia de fornecimento de tecnologia e infraestrutura para IA nos EUA.
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