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Como uma reportagem de jornal virou uma empresa de private equity

16/09/2026 18:194 min de leituraAtualizado há 2 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma leitura de jornal aos domingos com o pai foi o ponto de partida de uma trajetória empresarial que, quase duas décadas depois, resultou em uma empresa consolidada no setor de tecnologia e com aporte de private equity. É essa a história de Andrea Rivetti, fundadora e presidente do conselho da Arklok, empresa de outsourcing de infraestrutura de TI. Para quem administra um negócio, o caso traz lições práticas sobre identificar oportunidades, construir credibilidade sem recursos iniciais e saber a hora certa de buscar sócios e governança.

Formada em direito, mas sem intenção de seguir a carreira, Andrea imaginava entrar na empresa do pai como caminho natural. A recusa dele, no entanto, funcionou como estímulo para que ela buscasse seu próprio negócio. O critério inicial era simples e comum a muitos empreendedores: um modelo de receita recorrente, que desse estabilidade financeira e espaço para conciliar vida pessoal e profissional.

Uma oportunidade identificada onde ninguém olhava

A resposta apareceu em uma reportagem sobre uma empresa de outsourcing de TI em Minas Gerais que buscava franqueados. Mesmo sem conhecimento profundo da área, Andrea viajou para conhecer o negócio e voltou com uma percepção estratégica: as empresas ainda tratavam tecnologia como custo e problema, não como algo capaz de gerar valor. Essa leitura de mercado, mais do que o modelo de franquia em si, foi o que orientou os primeiros passos do negócio.

Ao pesquisar o mercado paulista, ela encontrou um cenário de empresas familiares pequenas que apenas entregavam e recolhiam equipamentos, sem nenhum serviço agregado. Foi nessa lacuna que decidiu atuar, convencendo uma empresa de software a desenvolver, sem custo, uma ferramenta de gestão para sustentar a proposta de valor. Com estrutura mínima, o primeiro contrato foi cumprido com nove máquinas transportadas em uma Kombi e instaladas por ela mesma.

Da ideia ao negócio consolidado
01
Identificar a lacuna

Percebeu que empresas viam tecnologia como custo, não como diferencial, e que concorrentes locais não agregavam serviço.

02
Buscar credibilidade

Sem contrato com fabricantes nem garantias, insistiu junto a um banco até conseguir financiamento para crescer.

03
Crescer com o próprio caixa

Optou por alavancagem baixa, expandindo no ritmo que o negócio permitia financeiramente.

04
Aceitar sócio estratégico

Em 2022, trouxe o private equity buscando governança e processos, não apenas capital.

O crescimento ganhou tração com a indicação para uma grande empresa do setor de segurança, que fez um pedido de mais de 700 computadores, cliente que permanece parceiro até hoje. Sem contrato formal com fabricantes e sem garantias a oferecer, Andrea precisou insistir junto a uma agência bancária até conseguir o financiamento necessário para sustentar a operação, que é intensiva em capital.

O desafio de mudar a cultura do cliente

Mais do que vender equipamentos, o obstáculo real era convencer as empresas de que contratar um serviço de outsourcing trazia mais vantagens do que simplesmente comprar os aparelhos, um processo de convencimento que levou anos para se consolidar. A pandemia acabou reforçando esse argumento: em vez de buscar novos contratos, a Arklok se concentrou nos clientes que já tinha e demonstrou, na prática, o valor de contar com um parceiro de tecnologia em momento de crise.

Hoje a empresa atua como fornecedora de primeira linha de fabricantes como Samsung, Apple, Dell, Lenovo e HP, atendendo desde laboratórios com milhares de equipamentos até grandes locadoras de veículos. Para empresários que lidam com fornecedores estratégicos, o caso ilustra como construir relação de confiança de longo prazo pode abrir portas para contratos maiores e mais complexos ao longo do tempo.

Governança como próximo passo de crescimento

Em 2022, a chegada do private equity marcou uma mudança de fase. Andrea recusou propostas de venda total do negócio porque não queria abrir mão do controle em um momento de crescimento acelerado. O que ela buscava não era apenas capital, mas governança, processos e conhecimento especializado para uma empresa que havia crescido além da capacidade de gestão informal do início. Esse movimento é um lembrete útil para gestores de empresas familiares: em determinado estágio, profissionalizar a gestão pode ser mais importante do que manter controle total.

Para empresários que ainda estão começando, a trajetória de Andrea reforça uma mensagem prática: identificar uma lacuna real de mercado, insistir mesmo diante de recusas iniciais e aceitar ajustar o estilo de gestão conforme o negócio cresce são passos que podem fazer diferença entre um projeto que não sai do papel e uma empresa que se consolida ao longo dos anos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.