Cibersegurança: por que sua empresa precisa de plano para continuar operando após um ataque
25/09/2026 20:004 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se a sua empresa investiu em antivírus, senhas fortes e treinamento de funcionários, você já deu um passo importante. Mas especialistas em cibersegurança alertam que isso não é mais suficiente. O verdadeiro desafio hoje é outro: o que acontece quando, mesmo com todas essas proteções, um ataque consegue passar? A resposta está em um conceito chamado resiliência cibernética, que trata da capacidade de manter o negócio funcionando, ou de se recuperar rapidamente, mesmo depois de uma invasão bem-sucedida.
O tamanho do investimento global nessa área mostra a urgência do tema. Estimativas do Gartner apontam que os gastos mundiais com segurança da informação devem chegar a US$ 240 bilhões até o fim deste ano, um crescimento significativo em relação ao ano anterior. Isso significa que empresas de todos os portes, inclusive a sua, estão competindo por atenção e recursos num mercado onde a ameaça cresce tão rápido quanto o investimento em defesa.
O que muda na forma de pensar segurança
Durante muito tempo, proteger uma empresa significava basicamente impedir a entrada de invasores. Hoje, especialistas defendem uma visão mais ampla, que inclui identificar riscos, proteger identidades e senhas de acesso, monitorar sistemas o tempo todo e, principalmente, ter um plano claro de recuperação caso algo dê errado. Segundo Lucas Castro, CSO e diretor comercial da IT Protect, antes de qualquer tecnologia ser implementada, é essencial entender o contexto do negócio e quais são seus ativos mais críticos.
Essa vigilância também precisa olhar para fora da empresa. Bruno Pereira, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Teletex, explica que ferramentas de inteligência de ameaças permitem monitorar fraudes, sites falsos que imitam a marca da empresa, tentativas de phishing e vazamentos de dados, agindo antes que esses problemas cheguem a causar prejuízo financeiro ou de reputação para o negócio.
Outro ponto de atenção é a criptografia, tecnologia que embaralha dados para impedir acessos indevidos. Rafael Silva, diretor da Futurex, chama atenção para a chamada criptografia pós-quântica, uma atualização que as empresas precisarão fazer nos próximos anos. Segundo ele, essa mudança obrigatória pode ser aproveitada como oportunidade para revisar toda a arquitetura de segurança e preparar a empresa para se adaptar mais rápido a mudanças futuras.
Quem precisa se preocupar com isso
Embora o setor financeiro sirva de exemplo pela gravidade do problema, a lógica vale para empresas de qualquer segmento que dependam de sistemas digitais para operar. No caso dos bancos, dados de um estudo do Ponemon Institute, analisados pela Everpure, mostram que aplicações consideradas essenciais levam, em média, 12 dias para serem recuperadas após um incidente de segurança. Douglas Wallace, diretor regional de Vendas da Everpure para a América Latina e o Caribe, explica que os modelos tradicionais de recuperação foram criados para lidar com falhas técnicas comuns, não para ataques cibernéticos planejados, e por isso já não funcionam como deveriam.
Marcos Ferreira Gomes, diretor Brasil da Commvault, reforça que segurança, gestão de identidades e recuperação de dados precisam ser tratadas como partes de uma mesma estratégia, já que os ataques estão cada vez mais rápidos e difíceis de prever. Essa integração aparece também no conceito de ResOps, que une pessoas, processos e tecnologia para antecipar riscos e acelerar a volta ao normal depois de um incidente.
Como sua empresa pode se preparar
Para Dirval Junior, diretor comercial da Zadara no Brasil, o desafio das empresas mudou: não basta mais comprar proteção, é preciso saber alocar o investimento com inteligência. Isso significa construir camadas de segurança que reduzam custos no longo prazo e transformem a proteção em algo que sustenta o crescimento do negócio, e não apenas uma despesa. Ele destaca ainda um alerta importante sobre o uso de inteligência artificial nas empresas: a mesma tecnologia que traz competitividade também pode se tornar uma porta de entrada para vazamento de dados, o que exige atenção redobrada sobre onde e como as informações são processadas.
Na prática, isso significa que sua empresa precisa ir além de perguntar "estamos protegidos contra invasões?". A pergunta certa é: "se formos atacados, quanto tempo levaremos para voltar a funcionar, e o que recuperamos primeiro?". Ter essa resposta clara, com um plano testado e conhecido pela equipe, é o que separa negócios que sobrevivem a um incidente cibernético daqueles que sofrem prejuízos graves e duradouros. O mês de conscientização sobre cibersegurança é uma boa oportunidade para colocar essa discussão na agenda, mas o cuidado precisa ser constante, todos os meses do ano.
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