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China importa menos soja em setembro: entenda o impacto para o agronegócio

14/10/2026 10:443 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se o seu negócio depende, direta ou indiretamente, da soja brasileira, vale ficar de olho em um número que acabou de sair da China: o país comprou 11,88 milhões de toneladas da oleaginosa em setembro, uma queda de 7,7% frente ao mesmo mês do ano passado. A informação é da Administração Geral das Alfândegas da China e serve como termômetro importante para quem vende, transporta ou financia a produção de soja no Brasil.

Apesar da queda, é preciso ter cuidado antes de interpretar o dado como um sinal de crise. Segundo a analista Rosa Wang, da Shanghai JC Intelligence, a comparação está "inflada" porque, no ano passado, a China acelerou as compras de soja sul-americana em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos. Ou seja: o volume de setembro do ano anterior foi excepcionalmente alto, o que torna a queda atual menos preocupante do que parece à primeira vista.

O que explica a queda nas compras

Dois fatores práticos ajudam a entender o resultado de setembro. Primeiro, as vendas da safra brasileira anterior avançaram rápido, o que deixou menos soja disponível para embarque justamente em setembro. Segundo, a nova safra americana está apenas começando a ser colhida, então o volume de soja dos EUA pronto para exportação ainda é pequeno. Na prática, isso significa que o mercado está em um momento de transição entre safras, e não necessariamente de retração na demanda chinesa.

Também chama atenção a comparação com agosto: as importações de setembro foram 2,1% menores que as 12,14 milhões de toneladas do mês anterior. No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a China importou 86,08 milhões de toneladas de soja, um volume que mostra que a demanda chinesa segue firme, mesmo com as oscilações mensais.

Soja dos EUA: acordo avança, mas há limites

Outro ponto relevante para quem acompanha o mercado é o acordo entre China e Estados Unidos. A China já ultrapassou a metade da meta de comprar 25 milhões de toneladas de soja americana, compromisso que, segundo a Casa Branca, foi fechado em outubro do ano passado. Mas há um detalhe importante: as cargas dos EUA ficaram de fora da proposta de redução de tarifas discutida após a cúpula de Washington no mês passado, o que limita o apetite chinês por mais soja americana no curto prazo.

Importações chinesas de soja em números
11,88 milhões tem setembroqueda de 7,7% frente ao mesmo mês do ano anterior.
86,08 milhões tacumulado no anototal importado pela China de janeiro a setembro.
9,5 milhões t/mêsprevisão para o 4º trimestremédia mensal esperada, segundo a Cofco Oils.

Além disso, a demanda chinesa por ração animal está fraca, e as margens de esmagamento de soja estão negativas, o que reduz o interesse das indústrias chinesas em comprar mais soja no curto prazo, seja ela brasileira ou americana. Cai Hongli, vice-gerente geral de pesquisa de mercado da Cofco Oils, projetou que as chegadas de soja à China devem ficar em torno de 9,5 milhões de toneladas por mês no quarto trimestre, um volume mais moderado do que os picos vistos anteriormente.

Para o produtor e o exportador brasileiro, o recado prático é de atenção redobrada aos próximos meses. A combinação de menor demanda por ração, margens apertadas na indústria chinesa e a exclusão da soja americana do pacote de redução de tarifas pode manter os volumes de compra mais contidos, mesmo com o Brasil ainda na condição de fornecedor relevante. Quem trabalha com contratos de exportação, logística ou financiamento agrícola deve acompanhar de perto esses indicadores mensais da China, já que eles ajudam a antecipar movimentos de preço e de demanda que impactam diretamente o fluxo de caixa do negócio.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.