China deve importar menos milho dos EUA: o que isso muda no mercado
13/10/2026 11:123 min de leituraAtualizado há 2 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você trabalha com comércio exterior, agronegócio ou acompanha os preços de commodities agrícolas, uma notícia vinda da China merece atenção: o país deve colher mais milho neste ano e, ao mesmo tempo, importar menos. O detalhe que mais chama atenção é que o milho dos Estados Unidos continua fora de boa parte dessas compras, por não ser economicamente vantajoso mesmo com redução de tarifas em discussão entre os dois países.
O que muda
Segundo Zhang Dalong, diretor de pesquisa de produtos agrícolas da Cofco Futures, a nova safra chinesa de milho deve crescer entre 5 milhões e 8 milhões de toneladas em comparação ao ano passado. Esse aumento vem principalmente do norte do país, onde a produção e a qualidade do grão melhoraram. Já no nordeste chinês, a área plantada cresceu, mas a produtividade caiu, um equilíbrio que, na prática, ainda favorece o resultado geral positivo para a China.
Com mais milho produzido internamente, a China deve precisar importar menos. A previsão é de 3,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, uma queda de 170 mil toneladas frente ao período anterior. Desse total, Brasil e Argentina devem fornecer 1,2 milhão de toneladas cada um, enquanto os Estados Unidos ficariam com apenas 900 mil toneladas, o restante viria de outros fornecedores menores.
Por que o milho americano continua de fora
O ponto mais relevante para quem acompanha o mercado é o motivo pelo qual os Estados Unidos seguem perdendo espaço: segundo Zhang, o milho americano simplesmente não compensa financeiramente para os importadores chineses no momento. Mesmo com uma tarifa reduzida de 1% dentro da cota de importação, as contas não fecham. Uma simulação apresentada por ele, usando os portos do Golfo americano como referência, mostrou que a margem de importação do milho entregue entre novembro de 2026 e março de 2027 seria negativa, com prejuízo estimado entre cerca de US$ 2,32 e US$ 8,93 por tonelada.
Isso acontece em um momento sensível: China e Estados Unidos negociam uma lista de redução de tarifas que inclui milho, trigo, óleos vegetais e farelos, entre outros produtos. Há ainda um compromisso mencionado pela Casa Branca, de que a China compraria US$ 17 bilhões em produtos americanos, acordo que teria sido firmado em uma cúpula de líderes em maio. O milho historicamente é uma das exportações agrícolas mais valiosas dos EUA para o mercado chinês, por isso o mercado observa de perto se essas negociações vão de fato destravar compras maiores.
Outros grãos também entram na conta
Além do milho, Zhang apresentou projeções para outros produtos que também afetam o comércio internacional de grãos. As importações chinesas de sorgo devem chegar a 8 milhões de toneladas em 2026/27, um aumento de 550 mil toneladas em relação ao ano anterior. Já a cevada deve seguir caminho oposto: a previsão é de 10 milhões de toneladas importadas, uma queda de 3,14 milhões de toneladas frente ao período anterior.
No curto prazo, as chegadas de milho no quarto trimestre devem somar 400 mil toneladas, enquanto o sorgo deve registrar 2,95 milhões de toneladas, um salto de 2,06 milhões de toneladas na comparação anual. A cevada, por sua vez, deve chegar a 2,6 milhões de toneladas no mesmo período.
Para empresários e gestores ligados ao agronegócio, à exportação ou a setores que dependem de commodities agrícolas, o recado prático é claro: o Brasil segue como fornecedor relevante de milho para a China, enquanto o produto americano enfrenta barreiras econômicas que vão além das tarifas. Vale acompanhar os desdobramentos das negociações comerciais entre China e Estados Unidos, já que qualquer mudança nesse equilíbrio pode impactar preços e demanda no mercado brasileiro de grãos.
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