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Cartão de Todos: como funciona o plano de descontos em saúde que virou referência

15/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 10 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Se você é empresário e busca entender como funcionam os cartões de desconto em saúde, oferecidos como benefício a funcionários ou usados por famílias para economizar em consultas e exames, o case do Cartão de Todos ajuda a explicar o tamanho que esse mercado ganhou no Brasil. Criado em 2001 em Ipatinga, Minas Gerais, por Altair Vilar, o negócio nasceu da ideia de ampliar o acesso à saúde sem pesar no orçamento das famílias. Hoje, 25 anos depois, a empresa é a maior do setor de cartões de desconto e vive um momento de transição: a sucessão na presidência, prevista para 2027.

O que é e como cresceu o negócio

O Cartão de Todos funciona como um plano de descontos: o filiado paga uma mensalidade e tem acesso a preços reduzidos em consultas, exames e outros serviços de saúde, por meio de uma rede de parceiros credenciados. A proposta, segundo o fundador, sempre foi provar que é possível gerar impacto social e resultado financeiro ao mesmo tempo, um conceito que ele batizou de Administração Solidária: a empresa busca desenvolvimento social e qualidade de vida, tratando o lucro como consequência, não como objetivo único.

Esse modelo ganhou escala. Atualmente, o Cartão de Todos tem mais de 24 milhões de filiados, 5 mil parceiros credenciados e 400 unidades espalhadas por todas as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Além da saúde, a empresa expandiu a atuação para áreas como educação, lazer e serviços, o que mostra como o modelo de cartão de benefícios pode ser replicado para diferentes necessidades do consumidor.

O Cartão de Todos em números
24 milhões+filiadosmaior base entre empresas privadas de saúde primária no país.
5 milparceirosrede de clínicas e profissionais credenciados.
400unidadespresentes em todas as cidades com mais de 100 mil habitantes.
530+unidades no Grupo Todossomando a parceria com a rede de clínicas AmorSaúde.

A parceria com o AmorSaúde, maior rede de clínicas médico-odontológicas do país, ampliou ainda mais a capilaridade do negócio: juntas, as empresas formam o Grupo Todos, com mais de 530 unidades e o que é descrito como o maior ecossistema privado de saúde integral do Brasil. Para quem acompanha o setor de saúde suplementar, esse tipo de consolidação indica uma tendência: unir cartão de desconto, rede própria de atendimento e apoio financeiro em um único ecossistema, fortalecendo a chamada atenção primária, a porta de entrada do paciente ao sistema de saúde.

Tecnologia e expansão para cidades menores

Outra frente que começa a ganhar corpo é o uso de dados e tecnologia para tornar o cuidado mais preventivo. Em 2026, o Cartão de Todos investiu US$ 1,5 milhão na criação da Welbe Brasil, em parceria com a healthtech Welbe Care, especializada em conectar toda a cadeia de saúde por meio de tecnologia. A ideia é acompanhar o filiado de forma mais contínua, antecipando problemas antes que se agravem, em vez de atuar apenas quando a pessoa já está doente.

A expansão também mira um público específico: moradores de cidades menores, que hoje muitas vezes precisam viajar até 150 quilômetros para conseguir atendimento médico. Levar a rede de descontos e parcerias a essas localidades é apontado como prioridade para os próximos anos, ampliando o alcance do modelo para regiões onde o acesso à saúde ainda é mais difícil.

Sucessão: o que muda a partir de 2027

O principal marco institucional do momento é a sucessão na presidência do Grupo Todos. A partir de 2027, Tales Vilar, hoje vice-presidente global da empresa, assume o comando, enquanto Altair Vilar, fundador, passa a presidir o conselho. A mudança foi planejada como forma de preservar os princípios que guiaram a empresa nos últimos 25 anos, ao mesmo tempo em que se abre espaço para uma agenda de tecnologia, inovação e novas parcerias, como a própria Welbe Brasil.

Para quem administra uma empresa familiar ou de controle concentrado em um fundador, esse caso ilustra um ponto importante: a sucessão não precisa significar ruptura. Pode ser planejada como continuidade, com o fundador migrando para um papel de supervisão estratégica (no conselho) enquanto a nova geração assume a operação e amplia o negócio para novas frentes, mantendo a essência que fez o modelo funcionar desde o início.

Se a sua empresa também enfrenta, ou vai enfrentar, o desafio de planejar a transição de comando, vale observar o modelo adotado pelo Grupo Todos: formalização clara dos papéis, período de transição definido (sucessão prevista só para 2027) e investimento em novas tecnologias conduzido já pela geração que assumirá a liderança, garantindo que a empresa continue evoluindo mesmo durante a mudança.

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