Calendário de balanços do 3º trimestre de 2026: datas e o que esperar
22/10/2026 11:583 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha o mercado de ações ou tem investimentos em empresas listadas na bolsa, é bom reservar um espaço na agenda: entre 22 de outubro e 13 de novembro acontece a temporada de divulgação dos balanços do terceiro trimestre de 2026. São dezenas de companhias de setores como bancos, energia, varejo, saúde e commodities apresentando seus números, o que costuma mexer com o preço das ações e influenciar decisões de quem investe ou negocia com essas empresas.
O calendário foi organizado pelo BTG Pactual e mostra que os dias 5 e 12 de novembro serão os mais movimentados, com 49 companhias divulgando resultados somente nessas duas datas. Entre os destaques estão grandes nomes como Localiza, Lojas Renner, Magazine Luiza, Sabesp e Petrobras, além de bancos, seguradoras e empresas de tecnologia.
Quem abre e quem fecha a temporada
A temporada começa em 22 de outubro, com o Bradesco divulgando seu balanço após o fechamento do mercado. Nos dias seguintes, é a vez de Gerdau, Hypera, Klabin, Santander Brasil, Intelbras, Ambev, Multiplan, Vale, Usiminas e Irani. A partir de 3 de novembro, o ritmo acelera, com a chegada de nomes como Itaú Unibanco, BB Seguridade e RD divulgando resultados.
O encerramento fica por conta da Copasa, em 13 de novembro. Entre uma ponta e outra, empresas de praticamente todos os setores da economia passam pelo crivo do mercado: bancos, varejo, energia elétrica, saneamento, saúde, educação, agronegócio, mineração e telecomunicações, entre outros.
O que observar em cada setor
Segundo Pedro Galdi, analista da AGF, a qualidade do crédito e o custo da dívida das empresas devem ser os principais pontos de atenção nesta temporada. Nos bancos, ele não espera grandes mudanças nas margens financeiras, mas alerta que as provisões para devedores duvidosos podem surpreender, por causa da piora no mercado de crédito e do aumento de empresas em recuperação judicial. A recuperação extrajudicial das Casas Bahia, por exemplo, pode afetar principalmente Banco do Brasil e Bradesco. Para quem negocia com bancos ou depende de linhas de crédito, isso é um sinal de que o cenário de concessão de crédito pode continuar mais cauteloso.
No setor de energia elétrica, a expectativa é de crescimento do faturamento, puxado pela demanda, mas os investimentos e o maior endividamento podem pressionar o lucro e os dividendos dessas empresas no curto prazo. Já no saneamento, empresas como Copasa, Sanepar e Sabesp avançam nas metas de água, mas ainda têm etapas pela frente na expansão do esgoto, o que pode significar mais endividamento nos próximos meses.
Para as seguradoras, a crise no agronegócio e os juros altos podem limitar a venda de novos seguros, embora a manutenção das taxas favoreça os ganhos financeiros dessas empresas. Já as companhias de telecomunicações, como Vivo e TIM, devem seguir crescendo, apoiadas pela demanda por serviços e pelo uso de inteligência artificial para reduzir custos. Nas empresas mais sensíveis a juros e inflação, como as cíclicas e as mais endividadas, o peso das despesas financeiras tende a continuar alto, já que os efeitos dos cortes da Selic costumam demorar meses para aparecer nos resultados.
Se você é gestor de uma empresa ou lida com fornecedores, clientes ou parceiros listados na bolsa, acompanhar esses balanços ajuda a entender o momento financeiro desses negócios e pode orientar decisões de crédito, negociação de prazos ou parcerias comerciais. Fique atento às datas de divulgação das empresas com as quais sua empresa mais se relaciona, já que os resultados costumam indicar tendências de consumo, crédito e investimento que afetam a economia como um todo.
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