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Café sobe mais de 3% em Nova York: o que isso muda para seu negócio

28/09/2026 17:243 min de leituraAtualizado há 43 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você trabalha com café, seja na torrefação, no comércio ou na exportação, vale prestar atenção no que aconteceu nesta segunda-feira (28) no mercado internacional. Os contratos futuros de café arábica negociados na bolsa ICE, em Nova York, subiram 3,6%, fechando a US$ 2,8875 por libra-peso. O movimento veio depois de uma queda de 5,4% na semana anterior, e representa uma correção pontual, não necessariamente uma virada de tendência.

O que explica a alta do café

Segundo corretores ouvidos pela reportagem original, o mercado já estava "maduro" para uma recuperação técnica, depois de uma queda expressiva que se seguiu a um pico de preços no fim de agosto, quando o café havia atingido o valor mais alto desde janeiro. Ou seja: o preço caiu tanto e tão rápido que uma reação para cima era esperada por quem acompanha o mercado de perto.

Outro fator citado foi a baixa liquidez do mercado nesse período, combinada com pouco interesse de venda por parte de operadores e produtores. Na prática, isso significa que poucos negócios foram fechados, e isso tende a deixar os preços mais sensíveis a qualquer movimento, para cima ou para baixo.

Apesar da alta pontual, o café arábica segue pressionado por um fator estrutural: a expectativa de que o Brasil, maior produtor mundial, tenha colhido uma safra recorde em 2026/27. Safra grande costuma significar mais oferta e, em condições normais, preços mais baixos. No entanto, há uma ressalva importante: corretores apontam preocupações crescentes com a qualidade do café colhido, o que pode reduzir a quantidade real disponível para uso comercial, mesmo com volume recorde. Isso é algo que pode sustentar os preços mais à frente, mesmo com uma safra grande.

O café robusta, variedade usada principalmente em blends e solúveis, também subiu, com alta de 1,3%, fechando a US$ 3.412 por tonelada métrica.

E o açúcar, como ficou

Enquanto o café se movimentou, o açúcar bruto praticamente não mudou de preço: fechou com queda de apenas 0,2%, a 17,46 centavos por libra-peso, depois de chegar a ser negociado em alta durante o pregão. O destaque aqui não é a estabilidade do dia, mas o contexto por trás dela.

Números do pregão de segunda-feira
US$ 2,8875preço do café arábicaalta de 3,6% no dia, após queda de 5,4% na semana anterior.
17,46 centavospreço do açúcar brutoqueda de apenas 0,2%, praticamente estável.
US$ 3.412tonelada de café robustaalta de 1,3% no mesmo pregão.

Um dos fatores que ajudam a explicar essa tendência de alta do açúcar nas últimas semanas é a subida do preço do petróleo, impulsionada por tensões entre Estados Unidos e Irã. Preço de petróleo mais alto estimula usinas de cana a produzirem mais etanol em vez de açúcar, já que o biocombustível fica mais competitivo. Menos açúcar sendo produzido tende a sustentar seu preço.

Além disso, chuvas no Brasil prejudicaram parte da colheita da cana, e o serviço de monitoramento de safras Mars reduziu, nesta mesma segunda-feira, sua previsão para o rendimento da beterraba sacarina na União Europeia, outra fonte importante de açúcar. Do lado corporativo, a Suedzucker, maior produtora de açúcar da União Europeia, elevou suas expectativas de lucro para a safra 2026/27, citando maior demanda por biocombustíveis. O açúcar branco também subiu, 0,3%, fechando a US$ 504,10 por tonelada.

Para empresários que compram, vendem ou exportam café e açúcar, o recado prático é: os preços seguem voláteis e dependentes de fatores fora do controle direto do negócio, como clima, qualidade da safra e até geopolítica internacional. Vale acompanhar de perto as próximas semanas, principalmente as notícias sobre a real qualidade da safra brasileira de café e sobre o comportamento do petróleo, que tem afetado diretamente as decisões das usinas de cana entre produzir açúcar ou etanol.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.