Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O café robusta está mais caro. Nesta semana, os preços pagos aos produtores nas Terras Altas Centrais do Vietnã, a principal região cafeeira do país, subiram para uma faixa entre 98.300 e 99.000 dongs por quilo (cerca de US$ 3,75 a US$ 3,78), acima dos 96.000 a 96.500 dongs da semana anterior. O movimento acompanha a alta nos contratos futuros negociados internacionalmente, que fecharam em US$ 3.884 por tonelada métrica, uma valorização de 1% e a quinta sessão consecutiva de ganhos.
Para quem trabalha com torrefação, exportação, cafeterias ou qualquer negócio que dependa do robusta como insumo (usado, entre outras coisas, em cafés solúveis e blends), esse tipo de oscilação nas commodities globais tende a se refletir, com algum atraso, no custo de compra do grão e na formação de preço final ao consumidor.
O que está por trás da alta
O principal fator é o calendário da safra. A colheita 2026/27 do Vietnã começa oficialmente em outubro, mas os primeiros grãos só devem chegar ao mercado em novembro. Nesse intervalo, alguns comerciantes já começaram a negociar contratos antecipados com produtores, mas com preços bastante desiguais: enquanto alguns compram a 91.000 dongs por quilo para entrega em dezembro, outros oferecem até 96.000 dongs pelo mesmo prazo. Essa variação mostra um mercado ainda incerto sobre o volume e a qualidade da nova colheita.
Outro ponto chamou atenção dos comerciantes locais: para reduzir o risco de os produtores não entregarem o café combinado caso os preços continuem subindo, eles têm exigido depósitos de garantia entre 10% e 20% do valor do contrato. Isso mostra que o próprio mercado está se protegendo contra uma possível escalada de preços nos próximos meses.
O clima também é parte da equação. Nas Terras Altas Centrais, algumas áreas enfrentam períodos secos justamente na fase final de desenvolvimento dos frutos do café, etapa que exige irrigação adequada. Qualquer estresse hídrico nessa fase pode comprometer o rendimento da safra e, consequentemente, sustentar os preços em alta.
O que acontece na Indonésia
Enquanto o Vietnã vive esse cenário de transição, a Indonésia mostra um movimento diferente. Os grãos de robusta de Sumatra, outra origem relevante para o mercado global, tiveram o prêmio cobrado sobre o contrato futuro de novembro reduzido de US$ 150 para US$ 120 nesta semana. Outro lote, cotado sobre o contrato de setembro, caiu de um prêmio de US$ 110 para US$ 95. Esse recuo indica que, na origem indonésia, a oferta está mais confortável neste momento.
Isso porque a colheita principal já foi concluída na maior parte das plantações da região de Lampung, e a floração que vai determinar a safra do próximo ano também já terminou. Segundo produtores locais, as condições climáticas continuam favoráveis para o desenvolvimento dos frutos, o que é um sinal positivo para a oferta futura vinda da Indonésia.
Como isso afeta o seu negócio
Se sua empresa compra café verde, seja para torrefação, exportação ou revenda, vale acompanhar de perto esse movimento nos próximos meses. A combinação de safra em transição no Vietnã, clima incerto nas regiões produtoras e prêmios variando na Indonésia costuma gerar volatilidade nos preços internacionais, que acaba chegando ao mercado brasileiro com algum atraso, seja via contratos de exportação, seja via referência de preço para negociações locais.
Na prática, o momento pede atenção redobrada na negociação de contratos futuros de compra, avaliação de estoque de segurança e, se possível, diversificação de fornecedores para reduzir a exposição a um único mercado de origem. Empresas que dependem de café como insumo relevante no custo final também devem considerar revisar suas projeções de preço para o próximo trimestre, já que a chegada efetiva da nova safra vietnamita só deve se confirmar a partir de novembro.
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