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Café mineiro bate recorde no Japão: entenda o que isso significa

16/10/2026 17:144 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.

Um produtor de Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais, acaba de colocar o café brasileiro em um novo patamar de reconhecimento internacional. Luiz Paulo Dias Pereira Filho vendeu um lote de dez quilos de café geisha por US$ 200 a libra-peso em leilão realizado em Tóquio, valor equivalente a R$ 134.581,67 por saca de 60 quilos. É o maior preço já pago por um café brasileiro nos leilões organizados pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), entidade que há 27 anos conecta produtores de cafés especiais a compradores do mundo todo.

Embora o número impressione, é importante entender o que ele representa de fato. A venda foi de apenas dez quilos, parte de um leilão beneficente em que produtores doaram seus lotes. O valor total movimentado na transação foi de US$ 4.409,24, cerca de R$ 22,4 mil. Os R$ 134,6 mil por saca são uma equivalência de preço, usada como referência tradicional no mercado de café, e não o valor efetivamente recebido pela fazenda.

Por que esse preço é relevante

O resultado supera em 40% o recorde brasileiro anterior, registrado em 2018, quando um café premiado pelo Cup of Excellence foi vendido por valor equivalente a R$ 96,2 mil por saca. A comparação não é perfeita, já que as modalidades de leilão são diferentes, mas o salto mostra como o mercado de cafés especiais segue valorizando lotes com origem, variedade e processo bem definidos. Para empresários do setor, o episódio reforça que investir em rastreabilidade, qualidade sensorial e identidade de produto pode abrir portas em negociações muito acima dos preços praticados no mercado de commodities.

O café vendido é da variedade geisha, originária da Etiópia e bastante valorizada entre produtores de especiais em diversos países. No caso da Fazenda Santuário Sul, localizada a 1.300 metros de altitude, o processamento foi natural, método em que os frutos secam inteiros antes do beneficiamento. Essa técnica exige controle rigoroso para evitar fermentações indesejadas e é um dos fatores que ajudam a explicar a pontuação alta atribuída ao lote.

O negócio em números
R$ 134,6 milequivalência por sacanovo recorde brasileiro em leilão da ACE.
R$ 22,4 milvalor real da transaçãoreferente aos dez quilos vendidos no leilão beneficente.
6,7 vezesacima do lance inicialo lance de abertura era de US$ 30 por libra-peso.

Quem está por trás do resultado

Pereira Filho não chegou a esse leilão por acaso. Ele acumula 23 classificações entre os finalistas do Cup of Excellence e foi reconhecido em 2025 como Legend of Excellence, título dado a produtores com resultados consistentes ao longo de várias safras. Esse status o tirou da competição regular e o colocou na categoria hors-concours, com direito a participar de leilões exclusivos, como o de Tóquio. Na edição de 2026, o grupo de Legends soma 12 produtores de seis países, incluindo o Brasil também representado pela marca Café Orfeu, da Fazenda Sertãozinho.

Esse tipo de reconhecimento não nasce de uma safra isolada: é fruto de um histórico de participação e resultados em concursos internacionais. Para o empresário do setor cafeeiro, a trajetória de Pereira Filho ilustra como a construção de reputação ao longo dos anos, aliada à presença em entidades como a CarmoCoffees, exportadora da qual é um dos fundadores, pode consolidar um posicionamento de mercado capaz de sustentar negociações de alto valor.

O que isso muda para o setor

É importante ter clareza sobre os limites desse tipo de resultado. O preço alcançado no leilão não se aplica ao restante da produção da fazenda nem reflete o que a Santuário Sul recebe em suas vendas comerciais regulares. Leilões como esse funcionam mais como vitrine internacional do que como referência de mercado: lotes premiados circulam em quantidades pequenas e têm preços descolados das negociações convencionais de commodities, baseadas em volume e classificação comercial.

Ainda assim, o caso tem valor estratégico para quem trabalha com produtos de origem identificada, seja no café, seja em outros setores do agronegócio brasileiro. A associação entre fazenda, produtor e safra específica permite agregar valor e criar narrativas comerciais que compradores internacionais, como a japonesa Snow Beans Coffee, estão dispostos a pagar mais caro para adquirir. Iniciativas de apoio, como as conduzidas pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a ApexBrasil, mostram que esse caminho de promoção internacional pode ser ampliado para outros produtores que buscam diferenciação no mercado externo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.