C6 Bank: lucro sobe, mas inadimplência preocupa em 2026
18/08/2026 15:514 min de leituraAtualizado há 15 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
O C6 Bank encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,257 bilhão, valor 20% maior do que no mesmo período do ano anterior. À primeira vista, o resultado parece só positivo, mas os números por trás dele mostram um cenário mais complicado: a inadimplência subiu, a rentabilidade caiu e o banco reforçou o discurso de cautela com o crédito. Para você, empresário ou gestor, esse tipo de sinal vindo de uma instituição financeira importa porque costuma antecipar o que vai acontecer com as condições de crédito no mercado em geral, sejam elas para pessoa física ou para empresas.
O que aconteceu com o banco
A carteira de crédito do C6 cresceu 38% em um ano, chegando a R$ 99,8 bilhões, impulsionada principalmente por empréstimos consignados (que já representam 45% do total), financiamento de veículos (30%) e crédito para pessoa física (13%). Esse crescimento acelerado, no entanto, veio acompanhado de um aumento na inadimplência: o índice foi a 3,6%, contra 3,2% um ano antes e 2,9% no fim de 2025. Mesmo desconsiderando o efeito de uma mudança nas regras contábeis dos bancos, a inadimplência ainda teria subido, de 2,1% para 2,6% no mesmo intervalo.
Como consequência direta desse cenário, o banco precisou reservar mais dinheiro para cobrir possíveis perdas com clientes inadimplentes. As chamadas provisões somaram R$ 2,372 bilhões no semestre, mais do que o dobro do valor registrado um ano antes (R$ 996 milhões). Segundo o presidente-executivo do C6, Marcelo Kalim, o aumento na inadimplência ficou um pouco acima do esperado pelo banco, especialmente nas linhas de crédito para pessoa física e também para empresas.
Por que isso interessa a quem não é do setor financeiro
O executivo do C6 foi direto ao afirmar que a renda das famílias está bastante comprometida e que, para as empresas, a situação também é desafiadora por causa dos juros altos. Essa fala reforça um ponto prático: se um banco de porte relevante, com sócio internacional e carteira de crédito robusta, está adotando postura mais conservadora na concessão de crédito, é provável que outras instituições sigam caminho parecido. Na prática, isso pode significar mais exigências, taxas menos favoráveis ou análises mais rígidas para quem busca financiamento, seja para capital de giro, expansão do negócio ou até crédito consignado para os próprios funcionários.
Apesar do cenário mais apertado, Kalim destacou que já percebe uma melhora nos indicadores de inadimplência em junho, julho e agosto, ainda que os números continuem acima dos observados em 2025. Ou seja, o pior momento parece estar ficando atrás, mas a normalização é gradual, sem sinal de otimismo exagerado por parte do próprio banco.
O impacto na rentabilidade e o que fica de recado
A rentabilidade do banco, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), também sentiu o efeito da inadimplência maior: caiu para 38% no primeiro semestre de 2026, depois de ter sido de 43% um ano antes e de 51% no segundo semestre de 2025. Mesmo assim, o banco segue confiante em manter esse indicador acima de 40% nos próximos anos, o que mostra que a instituição não está em crise, mas sim ajustando expectativas diante de um ambiente econômico mais difícil.
Do lado positivo, o C6 registrou receita líquida recorde de R$ 6,268 bilhões no semestre, crescimento de 47,9% em relação ao ano anterior, e melhorou sua eficiência operacional, com despesas crescendo em ritmo menor (32,6%) do que a receita. As captações totais também avançaram 34%, somando R$ 125,6 bilhões, e o banco passou a ser classificado pelo Banco Central como instituição de porte S2, categoria que reflete o crescimento de seus ativos, hoje em R$ 170 bilhões.
Para você que administra um negócio, o recado prático é: o crédito não desapareceu, mas está mais seletivo. Bancos maiores e mais estruturados, como o C6, estão sinalizando que a análise de risco ficou mais rigorosa, especialmente para pessoa física e pequenas e médias empresas. Se sua empresa depende de linhas de crédito, consignado para colaboradores ou financiamento de bens, vale reforçar a organização financeira e o histórico de pagamentos antes de buscar novas operações, já que a tendência é de exigências maiores no curto prazo, mesmo com sinais de melhora gradual apontados pelo próprio mercado financeiro.
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