Brasileira no comando de produto do Canva: o que isso diz sobre o mercado
24/09/2026 14:364 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Uma executiva brasileira está no centro das decisões de produto de uma das plataformas de design mais usadas do mundo. Gabriela Belo Soares, paulistana de 38 anos, comanda hoje a área global de produto do Canva, ferramenta usada por mais de 260 milhões de pessoas por mês, entre pequenos empresários, estudantes e criadores de conteúdo. Para quem gerencia um negócio e usa esse tipo de ferramenta no dia a dia, entender como essas decisões são tomadas ajuda a antecipar mudanças que chegam direto na rotina de trabalho.
O que muda na prática para o usuário
O trabalho de Gabriela envolve adaptar o Canva a diferentes mercados, o que já resultou em decisões concretas para o público brasileiro, como a inclusão do Pix como forma de pagamento e a criação de modelos de design pensados especificamente para uso no WhatsApp. São ajustes que parecem pequenos, mas facilitam a vida de quem usa a ferramenta para divulgar produtos, criar peças de marketing ou se comunicar com clientes por aplicativos populares no país.
O Brasil, aliás, tem peso nessas decisões: é o segundo maior mercado do Canva em número de usuários, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso significa que o comportamento dos empresários e profissionais brasileiros influencia diretamente os próximos recursos que a plataforma vai lançar.
Inteligência artificial como apoio, não substituição
Outro ponto que interessa a quem usa ferramentas digitais no negócio é a forma como o Canva está lidando com a inteligência artificial. Segundo Gabriela, a estratégia da empresa não é criar uma IA que faça tudo, como muitos concorrentes tentam, mas sim usar a tecnologia para tornar as ferramentas que já existem mais rápidas e práticas de usar. Na prática, isso deve significar menos tempo gasto em tarefas repetitivas de design e mais foco no resultado final que o empresário ou criador de conteúdo precisa entregar.
A trajetória de Gabriela também traz um recado indireto para empresários que pensam em expandir negócios ou equipes para fora do Brasil. Formada em administração pela FEA-USP, ela passou por consultoria no BCG antes de migrar para tecnologia, fez MBA na Califórnia e construiu carreira em nomes como Google, LinkedIn, Walmart e PayPal antes de chegar ao Canva. O caminho não foi linear: ela conta que questões de visto de trabalho atrasaram sua carreira em cerca de dois anos, um lembrete de que processos de imigração e regularização também pesam no planejamento de quem quer atuar internacionalmente.
Liderança e gestão como diferencial competitivo
Para gestores que lidam com equipes multiculturais ou remotas, outro ponto chama atenção: Gabriela comanda um time espalhado entre América Latina, Austrália e China, e destaca que características associadas ao jeito brasileiro de trabalhar, como lidar bem com imprevistos, arriscar e manter clima leve mesmo quando os resultados não saem como esperado, se tornaram um diferencial reconhecido dentro da empresa. É um ponto de atenção para quem lidera equipes: a forma de conduzir pessoas e lidar com erros pode ser tão relevante quanto o resultado técnico entregue.
A executiva também comenta sobre a desigualdade que ainda existe no setor de tecnologia, especialmente entre fundadores de empresas, apontando que o investimento de capital de risco continua desproporcionalmente direcionado a homens, mesmo com mais mulheres ocupando cargos de liderança em áreas como produto. Um dado concreto ilustra o cenário: o próprio Canva tem apenas uma fundadora, Melanie Perkins, o que ela reconhece como exceção, não regra, no mercado.
Para quem administra um negócio e observa esse tipo de história, a lição prática que fica é sobre posicionamento: Gabriela recomenda que profissionais negociem salário, peçam mais responsabilidade, mentoria e promoção, algo que vale tanto para quem gerencia equipes quanto para quem está construindo a própria carreira dentro de uma empresa. Em um mercado que muda rápido, especialmente com a chegada da inteligência artificial às ferramentas de trabalho, entender como grandes plataformas pensam suas próximas atualizações ajuda o empresário a se preparar com antecedência para as mudanças que ainda estão por vir.
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